14 de junho de 2007

Pai Seta Branca e o Vale do Amanhecer

Sendo o Brasil o grande braseiro onde fervilha um grande caldeirão cultural, esta é a terra onde um futuro ainda está a ser plasmado na interação de diferentes etnias aqui reunidas, portanto é fácil entender como na parte religiosa diferentes manifestações religiosas se congracem produzindo novos veios de trabalho espiritual, como no caso da Umbanda, dos cultos usuários da ayahuasca amazônica e da "Ordem Espiritualista Cristã Vale do Amanhecer". Segundo o site desta instituição do Brasil Central, Pai Seta Branca é um dos nomes recebidos pelo luminoso espírito de Oxalá, Orixá poderoso que preside todo o desenvolvimento cármico do nosso planeta, a quem foi dada a missão de espiritualizar o Homem. É o grandioso guardião do Oráculo de Simiromba, que administra todo o potencial de forças que agem e interagem na Terra.

SIMIROMBA significa, em nossa Corrente, “Raízes do Céu”, e Pai Seta Branca é o Simiromba de Deus! De seu Oráculo, Simiromba realiza toda a grandeza presente em nossos trabalhos. Chegando aqui, liderando a missão dos Equitumans , quando ficou conhecido como Jaguar, e dos Tumuchy, Oxalá retornou no século XII, na Itália, como Francisco de Assis, junto com sua alma gêmea - Mãe Yara - como Clara de Assis, desenvolvendo magnífica obra dentro da Igreja Católica Apostólica Romana, criando a Ordem Franciscana, implantando as bases de sua Doutrina: Amor, Humildade e Tolerância, idéias das quais os Homens estavam afastados. Na época da conquista da América, no século XV, Oxalá era o grande cacique de uma tribo Inca, estabelecida em Machu-Pichu, tendo recebido o nome de Seta Branca por causa de sua lança armada com a presa de javali. Com as conquistas espanholas na região andina, houve uma ocasião em que os espanhóis chegaram nas proximidades daquela tribo, ameaçando-os. Seta Branca e seus oitocentos guerreiros aguardavam os invasores em um descampado. Quando estavam próximos para iniciar a batalha, Seta Branca começou a falar, ao mesmo tempo em que, com sua seta branca nas mãos, fazia como que uma oferenda aos céus. Sua voz ressoava por toda aquela região, gerando campo de forças que trouxe um clima de paz e tranqüilidade o qual influenciou todos aqueles corações. Guerreiros dos dois lados sentiram aquela emanação, e foram se ajoelhando. Seta Branca terminou sua invocação, trouxe sua seta até o plexo, e ficou em silêncio, de cabeça baixa, aguardando os acontecimentos. Os espanhóis foram se levantando e abandonando o campo, e retornaram para seus acampamentos, no oeste, sem qualquer confronto. Os Incas retornaram à sua cidade, sentindo o poder do amor sobre a força bruta. E ali viveram por muitos anos ainda, totalmente isolados. Esses espíritos retornaram no limiar do Terceiro Milênio, liderados por Oxalá, na roupagem de Pai Seta Branca, tendo como líder, no plano físico, Tia Neiva, que reuniu os Jaguares sob a Doutrina do Amanhecer. O aniversário natalício de Pai Seta Branca é reverenciado no dia 14 de fevereiro. Mensalmente, no primeiro domingo de cada mês, no Templo-Mãe, faz-se o ritual da Bênção de Pai Seta Branca, quando quatorze ninfas se revezam na incorporação do Pai, dando a bênção a centenas de pacientes e mestres, com a presença de Ministros que incorporam em Ajanãs. Nos Templos do Amanhecer, uma só ninfa – geralmente a Coordenadora – incorpora e dá mensagens e bênçãos de Pai Seta Branca, obedecendo ao ritual que se encontra no Livro de Leis. Todos os anos, a partir de 1971, Pai Seta Branca se dirige a seus filhos Jaguares através de mensagens que são pronunciadas no Templo-Mãe, à meia-noite do dia 31 de dezembro.


"Na iconografia do Vale do Amanhecer, Pai Seta Branca, ou Cacique da Lança Branca - se lembrado em sua última encarnação - , é sempre um índio de aparência bonita, jovem e altiva. Veste-se com uma túnica azul, um longo cocar e usa sandálias de couro. Tem olhos puxados, pele morena, e segura com as duas mãos uma flecha/lança de seta (ponta) branca, como indicado em seu próprio nome - relação que evidencia um nítido diálogo entre os códigos verbais e visuais.

O texto Pai Seta Branca pré-colombiano pode ser percebido, ainda, em sua codificação cinética. Segundo os adeptos, a referida entidade incorpora em alguns rituais do Vale do Amanhecer, como é o caso da Bênção de Pai Seta Branca, realizado no primeiro domingo de cada mês e o Oráculo, executado nos dias de quarta, sábado e domingo (dias de trabalho oficial). Há também uma bênção anual, concedida pela entidade no dia 31 de dezembro, por ocasião da passagem do ano.

Falando em um espanhol bastante rudimentar, o espírito, supostamente incorporado no corpo de um fiel, apresenta, invariavelmente, um semblante, um gestual e um tom de voz tranqüilos. Manifestação que só se dá após o cumprimento de preceitos rigorosos por parte dos adeptos. Os rituais do Vale são extremamente complexos: exigem a presença de um grande número de fiéis, devidamente paramentados e conhecedores de uma organização minuciosa, em que palavras, canto, gestos e movimentos são rigidamente pré-estabelecidos. Rituais, aliás, que se encontram descritos em ricos detalhes em um dos livros editados pela comunidade e que mostram, em sua constituição, a íntima relação entre os códigos verbais, visuais, sonoros e cinéticos.

Fazendo uma nova ligação entre o verbal e o cinético, e estabelecendo a relação destes com o código sonoro, há um canto da comunidade que, segundo Álvares, atua como um chamado à referida entidade. Pai Seta Branca ao ouvir tal canto, teria facilitado seu deslocamento dos planos espirituais para o plano físico. “Divino Seta Branca/ Tu és a lei de Deus/ Imaculado sejas tu/ Juntinho aos pés de Jesus/ Seta Branca querido por nós/ Tu és o Amor e és a luz/ Que iluminas os tiranos corações/ Erguendo seus filhos a Jesus”.

Mas não é apenas o canto criado pela comunidade que, segundo os adeptos, refere-se a Pai Seta Branca. Há, para seus devotos, uma outra forma de musicar a entidade. Uma nova modelização, entre as tantas já apresentadas, que se verifica a partir da tradução de uma tradição estranha à entidade indígena, em algo inesperado e de fácil leitura. Os adeptos do Vale apropriaram-se de uma música de Caetano Veloso, e dela fizeram uma referência direta à entidade em questão.

Sobre esse assunto, Martins afirma que Ana, uma mulher criada pela clarividente, fala do tempo em que o artista baiano foi recebido por Tia Neiva no Vale do Amanhecer. Depois de conversar longo tempo com a clarividente, Caetano Veloso teria ido visitar o templo de pedra, ou templo principal. A emoção de ver imagem de Pai Seta Branca, ali, diante de seus olhos e em grandes proporções, teria sido tão grande que ele compôs, em homenagem à entidade, a música “Um índio”.


De fato, como diz a autora, a canção de Caetano põe em evidência o personagem central mais sagrado da doutrina do amanhecer, o cacique inca Pai Seta Branca, cuja imagem está sentada no centro do templo de pedra, impávido, tranqüilo e infalível, preservado em pleno corpo físico, a esperar a entrada da nova era. Desse modo, se na canção de Caetano, um índio descerá de uma estrela colorida brilhante e pousará no coração do hemisfério sul na América, de acordo com Martins, para os seguidores da doutrina do amanhecer, o índio é o Pai Seta Branca, cacique inca, mentor espiritual da Tia Neiva. A estrela colorida e brilhante é a Estrela Manhante, lugar onde vivem os espíritos mais evoluídos que descem ao Vale do Amanhecer para trabalhar incorporando nos médiuns, com a finalidade de promoverem a cura do espírito [ou seria a Estrela Candente?]. O coração do hemisfério sul da América, o ponto eqüidistante entre o Atlântico e o Pacífico, o centro do mundo, lugar predestinado para se encontrarem os que se preparam para a entrada do terceiro milênio é o próprio Vale do Amanhecer.

E mais: se, na música de Caetano, no momento em que o índio descer, o que se revelará aos povos, surpreenderá a todos não por ser exótico, mas pelo fato de poder ter sempre estado oculto quando terá sido o óbvio significa, segundo Martins, referindo-se aos adeptos, que Pai Seta Branca descerá para encerrar o milênio. E que levará, consigo, os seguidores da doutrina do amanhecer para o Astral Superior - lá estaria situado o planeta Capela -, onde não mais terão a necessidade de encarnar e onde não mais perecerão de dor e sofrimento. Assim, com a chegada de Pai Seta Branca a Terra, na visão dos fiéis, será aplicada a lei da evolução dos espíritos e, como profetizaria a música de Caetano, tudo o que antes parecia pertencer ao ocultismo, mostrar-se-á como o óbvio."

Ler em: "O Vale do Amanhecer e as Configurações de um Mito em Códigos Visuais, Cinéticos, Visuais e Sonoros", de Carmen Luisa Chaves Cavalcante. Conheça o texto "Pai Seta Branca", do Mestre Mário Sassi. Visite o site do Vale do Amanhecer.

Um comentário:

EMILIE disse...

Pai!!!eterna bondade,amor e humildade...olhai por todos nós...SALVE DEUS!!!