19 de novembro de 2009
16 de novembro de 2009
Ticunas contra as FARC
Os índios Ticunas, no Amazonas, dizem ter uma milícia com 1.500 voluntários, armados com cassetetes e espingardas, supostamente para combater consumo de álcool e tráfico de drogas nas aldeias. A maioria dos índios aprova as milícias, mas há conflitos.
Fonte: Vide Versus. Imagem da violencia: Homem Culto. Leiam mais sobre as FARC em PasseiWeb. Conheçam o movimento Colombia Soy Yo.copyleft < alcanave@gmail.com às 14:44 0 comentários Links para esta postagem
11 de novembro de 2009
Princesa Ticuna
O Grupo Eware, da tribo Ticuna, já faz sucesso no Peru e na Colômbia. O cantor Netinho, líder da banda, produziu e editou o clipe da música ” Minha princesa”, agora no Youtube. A etnia Ticuna (também conhecida como Tukúna) celebra a paz com música e dança, na aldeia Umariaçu, em Tabatinga (AM). Dois grupos já fazem sucesso no Peru e na Colômbia e um deles, o Eware, gravou um clipe para a música “Minha princesa”, agora divulgado na internet.
“A nossa banda apresenta desde o forró brasileiro até a cumbia peruana. O nosso CD já está pronto, só falta levar para as prateleiras das lojas. Dá um trabalho danado. Foram vários dias de gravação e quase um dia inteiro para editar as imagens e fazer a montagem. Eu mesmo que cuidei disso”, disse Netinho. “Estamos felizes com o sucesso das duas músicas. Por isso fizemos o clipe. É a nossa forma de pedir paz. Na tribo Ticuna, ninguém fica triste. Não temos nada com as Farc e com essa violência envolvendo traficantes e guerrilheiros na nossa região amazônica. Vivemos na nossa aldeia e isso já é suficiente para sermos felizes".
Fonte: Web Brasil Indígena. Leiam mais sobre os Ticuna em Rosane Volpatto.
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10 de novembro de 2009
Rapé dos Apurinã
Para se conhecer mais sobre os Apurinã, pode-se ler na web: "Tronco velho, histórias apurinã", de Juliana Schiel (Unicamp). De acordo com a autora da tese, a história mais recorrente narrada pelos índios tinha como enredo a criação do mundo, em variadas versões. Elas falavam de Tsora, o “Deus” dos Apurinã, “criador de todas as coisas”. Também surgiram narrativas sobre a migração daquele povo. Uma delas falava da saída de uma terra sagrada, esta última localizada para além do mar. Encantados pelas frutas que encontraram pelo caminho, vários indivíduos optaram por se estabelecer antes de alcançar o destino final, decisão que teria lhes custado a imortalidade. Um aspecto que chamou a atenção de Juliana, que se valeu de um tradutor Apurinã, foi a beleza das histórias, construídas com sutilezas e contadas com habilidade dramática pelos índios, principalmente os mais velhos. Ao se referirem a animais, por exemplo, eles imitavam os sons dos bichos. “Em Apurinã, as histórias são quase que só onomatopéias”, revela. Atualmente, destaca Juliana, ocorrem reuniões cotidianas em comunidades e aldeias, durante as quais são feitas narrativas. Nessas ocasiões, os índios mascam uma folha denominada katsoparu, que poderia ser uma variedade da folha da coca, e tomam rapé (awire, em Apurinã), uma mistura de tabaco com cascas de árvores.
Os Apurinã da área 45 não possuem meios de telecomunicação. Para entrar em contato com eles: Grupo de Pesquisa e Extensão em Sistemas Agroflorestais do Acre - PESACRE, Rio Branco, AC - e-mail: pesacre@pesacre.org.br , ou através do seu representante comercial Amazon - Fairtrade (Michael F.Schmidlehner ME): michael@amazonlink.org fone/fax: +55 68- 3223 8085
Fonte: Jornal da Unicamp
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9 de novembro de 2009
Sian Kanabixi em missão
- Sian, fale um pouco sobre como é a formação de pajé em sua cultura e como os jovens hunikuins vêm se interessando em aprender essa ciência?
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Querem punir os índios pelos crimes dos brancos
A Câmara analisa o Projeto de Lei 5442/09, do deputado Dr. Ubiali (PSB-SP), que retira o usufruto das terras indígenas onde seus habitantes cometerem crimes ambientais - previstos na Lei de Crimes Ambientais (9.605/98). A medida valerá apenas para as ações transitadas em julgado . "Quando a União destina uma determinada área para o usufruto indígena, centenas de agricultores, posseiros de boa-fé e proprietários são expulsos para que seja entregue e ocupada unicamente pelos índios", destacou o parlamentar.
Para o deputado, constatado o uso criminoso de determinada gleba, "nada mais justo que ela seja desafetada e possa vir a ter nova destinação, transformando-se numa unidade de conservação da natureza, ou, se vocacionada para as atividades agropecuárias, possa ser destinada ao assentamento de trabalhadores rurais", acrescentou.
A proposta não detalha se a regra terá aplicação distinta se o crime for cometido individual ou coletivamente. O projeto será analisado em caráter conclusivoa pelas comissões de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável; de Direitos Humanos e Minorias; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.
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Pelo projeto de lei, qualquer condenação em última instância – depois que são apresentados todos os recursos – por um crime ambiental cometido em uma terra indígena faria com que essa reserva fosse cancelada, e todas as pessoas que morassem ali perdessem o direito de viver no local. “Se você tiver uma exploração ilegal em uma área de uma determinada tribo, é quase certo que isso é do conhecimento de todos, e se eles ignoram, são coniventes”, diz Ubiali.
Para a advogada Paula Souto Maior, do Instituto Socioambiental (ISA), o projeto fere a constituição, pois estabelece uma punição coletiva aos indígenas. “A pena não pode passar para a família da pessoa que cometeu o ato ilegal”, afirma.
Segundo Ubiali, contudo, a punição à comunidade toda pode ser aplicada no caso dos índios. “É uma punição coletiva porque o crime é coletivo. Na tribo, você não tem um indivíduo cometendo um ilícito. Não há a figura do indivíduo dentro de uma tribo. A tribo tem um comportamento como um todo”, argumenta o parlamentar.
O líder indígena Aílton Krenak, conhecido por defender a Amazônia junto com Chico Mendes na década de 1980, discorda do deputado. Segundo ele, cada pessoa deve ser tratada separadamente e a própria legislação brasileira já prevê punição individual para índios que cometem crimes. “Como se pode dizer que crianças, velhos e outras pessoas da comunidade devam responder por quem cometeu um crime?”, questiona.
Apesar de haver problemas ambientais dentro de terras indígenas, esse é o tipo de reserva em que há menos desmatamento. Segundo os dados de devastação de setembro de 2009, publicados pela ONG Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia), houve 216 km² de desmatamento nesse mês. Desses, apenas 5 km² (3%) teriam ocorrido dentro de terras indígenas, apesar desses territórios ocuparem 21,6% da Amazônia brasileira. Os parques e reservas estaduais, por sua vez, sofreram 15 km² de desmatamento, e ocupam 20% da Amazônia.
“As terras indígenas têm se mostrado mais eficazes para a conservação da floresta do que as unidades de conservação [parques e reservas] que se beneficiam do aparato do Ibama, das secretarias de meio ambiente dos estados, e que têm gente trabalhando fazendo a manutenção e monitoramento dessas unidades”, diz Krenak.
Questionado sobre a possibilidade de seu projeto ser aplicado também a propriedades privadas, Ubiali afirma que pretende apresentar uma emenda para que donos de terra também possam perder suas fazendas. De acordo com ele, a ideia será apresentada durante as discussões na Câmara para alterar o Código Florestal – lei que define, entre outras coisas, o quanto deve ser preservado dentro de cada terreno rural.
A proposta sobre terras indígenas tramita na Comissão de Meio Ambiente e, caso seja aprovada por essa e outras comissões, não precisará ir para votação no plenário para seguir ao Senado".
Fonte: Reportagem de Iberê Tenório em Globo Amazônia.
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8 de novembro de 2009
Tem abacaxi polonês na aldeia
Curiosidade: uma propaganda européia mostra um refrigerante de abacaxi chegando a uma aldeia indígena da Amazônia e a reação dos "selvagens" moradores.
Kofola é um dos principais produtores de refrigerantes na Europa Oriental. A empresa está presente na República Checa, Eslováquia, Polónia e Hungria, bem como a exportação dos seus prodcuts para outros países. Em 2005, uma moderna unidade de produção foi aberta na cidade polaca de Kutno. O portfólio de produtos Kofola inclui uma cola tradicional, com base em uma receita original 'Kofola', uma linha de sucos de frutas 'Jupi', xaropes e uma gama de refrigerantes para as crianças.
Para mais informações sobre Kofola e seus produtos, visitem os sites: www.jupiland.com www.kofola.pl e www.jupik.com.
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Mapuches sem Pátria
Jovens e anciãs mapuche em cerimônia wiñoy xipantu em Neuquén."Comunidades indígenas e acadêmicos advertem sobre uma ofensiva midiática e judicial contra os Mapuche, que busca “demonstrar” que provêm do Chile para negar-lhes direitos sobre as terras. O avanço contra o Povo Mapuche aparece em um contexto de crescente reivindicação de seus direitos, o pedido de judicialização dos movimentos sociais e o recente assassinato de um membro do povo diaguita em Tucumán.
"Os mapuches provêm do Chile". "Os mapuches mataram aos tehuelches, que eram indígenas argentinos, bons e serviçais". "Os mapuches não têm direitos sobre os territórios que ocuparam". Os três eixos conformam a cadeia argumentativa utilizada na "Campanha para o Deserto", que foi retomada com insistência nos últimos meses pelos grandes fazendeiros nucleados na Sociedade Rural e os meios de comunicação que lhe são afins para exigir repressão frente às reclamações dos povos originários.
O mundo acadêmico, que sobre a base de provas contundentes tinha dado por encerrado o debate, reagiu primeiro com rechaço e logo com preocupação. “A Faculdade de Filosofia e Letras da UBA repudia a aparição de artigos jornalísticos que desacreditam a pré-existência do povo originário mapuche, desconhecendo legislações vigentes e a produção científica das últimas décadas”, denuncia um comunicado do Conselho Diretivo dessa casa de estudos.
O ataque contra o pueblo mapuche aparece em um contexto de crescente reivindicação de seus direitos (com o correlativo aumento da conflitividade), o pedido de judicialização dos movimentos sociais e o recente assassinato de um membro do povo diaguita em Tucumán.
Crecencio Pilquimán tem 73 anos e sempre viveu em Paraje Cerro Bayo, no inóspito deserto de Chubut. É membro da comunidade aborígene Lagunita Salada, Gorro Frigio e Cerro Bayo. Em 2007 teve que recorrer à Justiça porque o Instituto Autárquico de Colonización (IAC) havia cedido campos comunitários a um fazendeiro da zona. Segundo deixa claro a Constituição Nacional, a Constituição Provincial e o Convênio 169 da OIT, se devia consultar à comunidade antes de decidir qualquer medida que possa afetá-la. Mas nem sequer se lhe informou.
Houve uma primeira medida favorável à comunidade, mas logo a Justiça rechaçou a ação de amparo, apesar de demonstrar-se que no predio havia um cemitério onde jaziam seus antepassados. O caso chegou à Corte Suprema de Justiça, que ainda não se manifestou. Mas o particular e preocupante foi que o advogado do fazendeiro, Eduardo Zabaleta, se baseou na suposta “chilenidade” do povo mapuche para negar-lhe o direito a seu território. Utilizou como fonte e contratou como perito ao "historiador" patagônico Rodolfo Casamiquela (funcionario na ditadura militar), referente da teoria de mapuches invasores e assassinos.
A Confederação Mapuche de Neuquén (CMN) é hoje o alvo de certos meios de comunicação e fazendeiros. À frente da ofensiva está o empresário Carlos “Nuno” Sapag (irmão do governador de Neuquén, Jorge Sapag), integrante ativo da Sociedade Rural. “São respaldados por membros das FARC e terroristas de ETA que se encontram no Chile. Têm armas e se financiam com o narcotráfico”, afirmou Sapag em uma entrevista. A única prova foi um artigo do conservador diário chileno El Mercurio.
A Confederação Mapuche informou que as comunidades enfrentam 32 causas penais (com mais de 150 imputados), advertiu sobre a “discriminação racial institucionalizada”, a falta de titulação de territórios, o avanço de empresas extrativas, os desalojamentos compulsivos e a criminalização crescente.
“A razão fundamental desta perseguição midiática se deve a que o povo mapuche quer trazer à luz a maneira fraudulenta e ilegal em que se apropiaram da terra indígena, mal chamada ‘terra pública’, onde privados especuladores contaram com a cumplicidade de organismos públicos. É urgente um pacto com o Estado para gerar a restituição territorial”, afirmou Jorge Nahuel, porta-voz da Confederação. Diante da continuada ação desses meios de comunicação, a Confederação lançou um comunicado. “Nos inventam desoriginados, alheios, afastados. No Chile dizem que somos de Argentina, que os invadimos. Em Argentina repetem que somos de Chile. Tais transmigrações se produziram quando nem Chile nem Argentina haviam nascido”, explicam e comparam: “Às multinacionais mineradoras e petroleiras que nos saqueiam ninguém lhes pede explicações sobre suas origens e as leis as protegem com eficácia”.
No polêmico e não-resolvido caso Pilquimán, o Tribunal não se manifestou sobre o fato histórico, mas solicitou pericias científicas à Unidade de Antropologia e Arqueologia do Centro Nacional Patagônico (Cenpat), representada por seu diretor, Julio Vezub. “O registro arqueológico, histórico e etnográfico documenta o povoamento milenar do interior patagônico (...) e a continuidade étnica e familiar entre os atores (comunidade indígena) e a ocupação histórica, anterior à expansão do Estado nacional e a chegada dos imigrantes”, precisa Vezub, e rebate falsas verdades: “As classificações rígidas que associam mapuche com indígena chileno e tehuelche com indígena argentino foram desestimadas pela ciência antropológica e histórica dos últimos trinta anos. Estas identidades se anteciparam ao traçado dos limites nacionais e se configuraram territorialmente a ambos lados da cordilheira dos Andes”.
A antropóloga, docente e pesquisadora da UBA Diana Lenton também se apresentou na causa judicial. Recordou que esse discurso (do “haver chegado depois”) foi utilizado recorrentemente durante a Campanha para o Deserto e até na década de ’30 para despojar aos indígenas de seus territórios e para deslegitimar seus reclamos. “O mesmo tópico argumentativo surge uma e outra vez. Adquire maior importância se advertimos que o discurso legal constrói seus contextos em base a (esses) outros discursos”, alerta.
Na última semana de outubro, e numa medida não usual, o Conselho Diretivo da Faculdade de Filosofia e Letras da UBA emitiu uma “declaração de repúdio ante a aparição de numerosos artigos jornalísticos que agravam ao povo mapuche”. Só menciona ao diário La Nación, mas adverte sobre outros meios de circulação regional na Patagônia. “A luta do povo mapuche pela terra vem sendo silenciada e reprimida pela pressão que exercem os interesses de grandes corporações imobiliárias na região. Estas notas não são alheias a estes interesses, dado que tergiversam os conteúdos das reivindicações mapuches reproduzindo uma perspectiva racista e essencialista acerca dos processos identitários”, denuncia a faculdade e insta aos meios massivos de comunicação a “abordar a temática com a complexidade e responsabilidade correspondente."
Publicado por Radio Mapuche Wajzugun . Leiam mais sobre a Cultura Mapuche e sua riquíssima Cosmologia em Astronomia Chile
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6 de novembro de 2009
Pirataria no Xamanismo
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O xamanismo é um termo que designa a filosofia de estar em viagem entre mundos mentais, físicos, espirituais, psicológicos. Não é uma religião. É uma forma de estar na vida e no Planeta. Povos contestadores das religiões impostas adaptaram-se a esse estar no mundo, ao longo do tempo. Antigos povos já praticavam essa filosofia. Na modernidade, seres conscientes adquiriram o sentimento de amor pela Mãe-Terra e entenderam que era necessária a prática da conservação do Planeta Terra - daí todo "ser xamânico" ser holístico. Aqueles que verdadeiramente estiverem dentro desses padrões, são Visionários. Os que mentem ou comercializam a fé, não permanecerão."
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O leio em uma busca na web e reflito. Ricardo Kelmer complementa em "Xamanismo da vida fácil":
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Racismo Nunca Mais
Ramão Machado em foto de Egberto Nogueira (Veja).
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5 de novembro de 2009
A Família Pano
Julio Cusurichi, líder Shipibo da região amazônica do Peru, que ganhou o Prêmio Ambiental Goldman 2007 para América Central e do Sul, falando com os jornalistas em Lima durante um protesto contra os direitos de exploração concedidos a companhias internacionais de petróleo pelo governo peruano em áreas onde afirmam que as tribos indígenas vivem em isolamento voluntário. O letreiro diz em espanhol "Parcela 113, Indígenas Isolados Mashcu-Piro, Yine e Amahuaca. Madre de Dios Reserva Territorial. Descanse em Paz". Quanto às línguas que compõem a família Pano, a literatura menciona 26 vivas, ou seja, aquelas que ainda são faladas por povos localizados no Brasil, Bolívia e Peru. A distribuição das línguas nos três países é a seguinte: 12 no Brasil (Arara, Katukina, Kaxarari, Korubo, Kulina, Marubo, Matis, Nawa, Nukini, Poyanáwa, Shanenawa e Yawanawa), duas na Bolívia (Chácobo e Pakawara) e nove no Peru (Amawaka, Iskonawa, Kapanawa, Kashibo-kakataibo, Mastanawa, Shipibo-Konibo, Sharanawa, Xitonawa e Yoranawa). Outras duas, o Kaxinawa e o Matsés, são faladas tanto no Brasil como no Peru e uma última, o Yaminawa, é falada concomitantemente nos três países que possuem povos Pano. Infelizmente, uma parte considerável dessas 26 línguas encontra-se em processo de extinção, correndo o risco de se juntarem a outras 10 que, no século passado, não puderam escapar desse processo. São elas: o Nokaman, o Panobo, o Remo, o Atsawaka, o Arazaire e o Yamiaka (todas faladas no Peru); o Kanamari Pano, o Tuxinawa e o Karipuna Pano (faladas no Brasil).
Uma característica singular dos povos Pano é o contraste entre sua homogeneidade linguística, cultural e territorial, e o fato de que, em geral, esses povos ignoram a existência de outras etnias de línguas da mesma família a não ser que sejam vizinhos muito próximos. A exceção ocorre no contato que se estabelece durante os encontros realizados pelas Secretarias de Educação para treinamento de professores bilíngues ou encontros políticos multilaterais. Muitos povos Pano, como se nota na citação acima, têm nas palavras usadas para nomeá-los um sufixo peculiar {-bo} ou o radical {-nawa} que significam ‘povo’, ‘estrangeiro’ ou mesmo ‘inimigo’, dependendo do contexto em que são usados. Isso nos faz concluir que os nomes citados neste projeto não se tratam de auto-denominações, mas de atribuições feita por membros de outras etnias.
Do ponto de vista científico, as línguas Pano têm sido estudadas, além do GICLI, por pesquisadores de renomadas instituições brasileiras e sul-americanas como a UNICAMP, o Museu Nacional do Rio de Janeiro, a UFRJ, a UFG, a UFPE, UFAL, a Universidade de São Marcos, no Peru, entre outras.
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4 de novembro de 2009
A resistência da Jurema
Se bem que dispomos de fontes documentais sobre esta planta, já do século XVI, Câmara Cascudo refere-se a um primeiro registro oficial - registro de óbito do índio Antônio, da cidade de Natal (RGN), de 2/6/1758 : "Sabia-se que este estava preso por razões do sumário que se fez contra os índios de Mopibu, os quais fizeram adjunto de jurema, que se diz supersticioso".
Ainda do século XVII e XVIII, registros disponíveis dão conta que a Jurema, enquanto vinho alucinógeno, foi também usada na região amazônica. Além de movimentos migratórios, como o movimento messiânico de época cabralina dos guaranis em busca da terra sem mal - Lima apela também para o envio de índios juremeiros do Nordeste para combaterem os invasores franceses no Maranhão, como hipótese explicativa da expansão deste uso sagrado da Jurema, para além do Nordeste.
Constatamos por um lado que o uso primordial e cerimonial da Jurema sagrada passou desapercebido ou não pode ser observado e descrito por colonialistas viajantes, naturalistas e outros estudiosos nestas terras, numa primeira fase considerada diabólica, "mágica" ou bruxaria pelos colonizadores católicos ou mesmo pelos inquisidores, tudo o que fizesse parte do sistema médico-religioso autóctone, parece entretanto que a Jurema foi tolerada e aceita, quando canalizada pela lógica da guerra de portugueses contra franceses, no Brasil colonial.
Alimentado esta hipótese da tolerância e cooptação dos guerreiros-juremeiros, pelas forças colonizadoras acrescentamos que as fontes levantadas por Lima, são assinadas pelas próprias autoridades religiosas ou militares, mesmo que se exiga mais dados etnográficos confiáveis.
É do Padre Doutor J.M. Noronha, em seus escritos da Vila de Barcellos, Pará, 1768, que "nas festividades maiores usam os que são mais hábeis para a guerra da bebida que fazem da raiz de certo pau chamado Jurema cuja virtude é nimiamente narcótica".
Quanto ao uso do vinho da Jurema, entre indígenas no Nordeste, não apenas pelos chefes religiosos, ou velhas cantadeiras, como também pelos guerreiros, Pereira de Alencastre em suas Memórias de 1857, confirma que isto era feito specially before going to war" .
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