19 de novembro de 2009

Tótens sem tabus

"La métamorphose du chamane" - escultura
Este trabalho notável de Antonio Valera & Juan Carlos Taminchi mostra a metamorfose interior do xamã ao longo da integração dos "animais totêmicos". Um cachimbo que ele segura na mão é a característica essencial da representação do xamã, contendo uma das plantas professoras da Amazônia: o tabaco, este de que de modo ritual se consome sem tragar a fumaça. Essa fumaça define a essência imaterial do mundo xamânico.
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Os animais totêmicos são as energias interiores que são necessários saber incorporar para aceder sem dificuldades aos mundos das consciências eternais (espíritos) ou mundo dos mortos (a Aya-uaska, uma outra planta sagrada que nos permite esse acesso e quer dizer literalmente "a liana dos mortos").
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Fonte: Veja outras obras de arte do grupo em Art Sacré (Facebook)

16 de novembro de 2009

Ticunas contra as FARC

Os índios Ticunas, no Amazonas, dizem ter uma milícia com 1.500 voluntários, armados com cassetetes e espingardas, supostamente para combater consumo de álcool e tráfico de drogas nas aldeias. A maioria dos índios aprova as milícias, mas há conflitos.
No último dia 2 de novembro, índios milicianos foram apedrejados e reagiram a tiros, e desse conflito resultaram 11 pessoas feridas. A Polícia Federal investiga dois assassinatos e abusos cometidos por essas milícias de índios brasileiros na fronteira com a Colômbia e o Peru, e o treinamento recebido por elas, dado por membro das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, organização terrorista e traficante de cocaína).
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Essas milícias de índios ticunas foram criadas neste ano supostamente para combater o consumo de álcool e o tráfico de drogas nas aldeias. Os integrantes rejeitam o rótulo de milícias e afirmam ser uma "polícia indígena". Dizem que a organização, chamada de Piasol (Polícia Indígena do Alto Solimões) ou SPI (Serviço de Proteção ao Índio), foi criada porque a Polícia Federal e a Funai não impediam a alta incidência de crimes na região do Alto Solimões.
Entre os 36 mil ticunas, dizem ter 1.500 voluntários (3% são mulheres), muitos recrutados entre egressos do Exército.Os indícios da relação das milícias de índios com a organização terrorista e traficante de cocaína das Farc, da Colômbia, surgiram na comunidade de Campo Alegre, em São Paulo de Olivença, onde há 300 milicianos. Uma hipótese é um possível interesse das Farc no fortalecimento de um grupo paramilitar aliado; a outra, a de que guerrilheiros se solidarizam porque há ticunas nas fileiras das Farc.

Fonte: Vide Versus. Imagem da violencia: Homem Culto. Leiam mais sobre as FARC em PasseiWeb. Conheçam o movimento Colombia Soy Yo.

11 de novembro de 2009

Princesa Ticuna


O Grupo Eware, da tribo Ticuna, já faz sucesso no Peru e na Colômbia. O cantor Netinho, líder da banda, produziu e editou o clipe da música ” Minha princesa”, agora no Youtube. A etnia Ticuna (também conhecida como Tukúna) celebra a paz com música e dança, na aldeia Umariaçu, em Tabatinga (AM). Dois grupos já fazem sucesso no Peru e na Colômbia e um deles, o Eware, gravou um clipe para a música “Minha princesa”, agora divulgado na internet.

“A nossa banda apresenta desde o forró brasileiro até a cumbia peruana. O nosso CD já está pronto, só falta levar para as prateleiras das lojas. Dá um trabalho danado. Foram vários dias de gravação e quase um dia inteiro para editar as imagens e fazer a montagem. Eu mesmo que cuidei disso”, disse Netinho. “Estamos felizes com o sucesso das duas músicas. Por isso fizemos o clipe. É a nossa forma de pedir paz. Na tribo Ticuna, ninguém fica triste. Não temos nada com as Farc e com essa violência envolvendo traficantes e guerrilheiros na nossa região amazônica. Vivemos na nossa aldeia e isso já é suficiente para sermos felizes".

Fonte: Web Brasil Indígena. Leiam mais sobre os Ticuna em Rosane Volpatto.

10 de novembro de 2009

Rapé dos Apurinã

Antônio Milena/AE
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Flademilson Apurinã, agente de saúde índígena da Funasa, prepara o rapé, com folha que, na crença indígena, é boa para gripe, na aldeia indígena dos Apurinã, em Tapuã, no Amazonas. Os Apurinã, que se autodenominam Popingá ou Kangitê, são um grupo de língua Aruak que habita a região do médio e alto rio Purus na Amazônia. Estima-se que a população total Apurinã esteja, atualmente, em torno de 2000 pessoas, conforme dados da FUNAI, em 2001, distribuídas em 49 comunidades nas regiões dos municípios de Boca do Acre (6 comunidades) e Pauini (43 comunidades), no Amazonas, ao longo da BR 317.

Para se conhecer mais sobre os Apurinã, pode-se ler na web: "Tronco velho, histórias apurinã", de Juliana Schiel (Unicamp). De acordo com a autora da tese, a história mais recorrente narrada pelos índios tinha como enredo a criação do mundo, em variadas versões. Elas falavam de Tsora, o “Deus” dos Apurinã, “criador de todas as coisas”. Também surgiram narrativas sobre a migração daquele povo. Uma delas falava da saída de uma terra sagrada, esta última localizada para além do mar. Encantados pelas frutas que encontraram pelo caminho, vários indivíduos optaram por se estabelecer antes de alcançar o destino final, decisão que teria lhes custado a imortalidade. Um aspecto que chamou a atenção de Juliana, que se valeu de um tradutor Apurinã, foi a beleza das histórias, construídas com sutilezas e contadas com habilidade dramática pelos índios, principalmente os mais velhos. Ao se referirem a animais, por exemplo, eles imitavam os sons dos bichos. “Em Apurinã, as histórias são quase que só onomatopéias”, revela. Atualmente, destaca Juliana, ocorrem reuniões cotidianas em comunidades e aldeias, durante as quais são feitas narrativas. Nessas ocasiões, os índios mascam uma folha denominada katsoparu, que poderia ser uma variedade da folha da coca, e tomam rapé (awire, em Apurinã), uma mistura de tabaco com cascas de árvores.

Os Apurinã da área 45 não possuem meios de telecomunicação. Para entrar em contato com eles: Grupo de Pesquisa e Extensão em Sistemas Agroflorestais do Acre - PESACRE, Rio Branco, AC - e-mail: pesacre@pesacre.org.br , ou através do seu representante comercial Amazon - Fairtrade (Michael F.Schmidlehner ME): michael@amazonlink.org fone/fax: +55 68- 3223 8085

Fonte: Jornal da Unicamp

9 de novembro de 2009

Sian Kanabixi em missão


Visitando o nordeste brasileiro em missão de apresentar e representar a Cultura viva e as ciências florestais do Povo Hunikuin do Estado do Acre, entrevistei o jovem pajé Siã Kanabixi em São Luís do Maranhão na casa da família do Mestre Irineu Serra, querendo saber dele algo mais sobre os fundamentos de seu trabalho de pajelança com a aiauasca:

- Sian, fale um pouco sobre como é a formação de pajé em sua cultura e como os jovens hunikuins vêm se interessando em aprender essa ciência?
- Primeiro eu tenho que dizer que a pajelança hunikuin é um trabalho de muito respeito e lida com muitas forças espirituais, fazendo a comunicação diretamente com os espíritos das plantas e dos animais, como a jibóia e outros que dizemos encantados, além do espírito da água, da terra, dos astros. Então para nós é uma função dentro da coletividade da maior importância, pois cabe ao pajé coordenar os rituais tradicionais da cultura, ou seja, manter a cultura viva. Eu comecei a tomar nishipae (aiauasca) com idade de oito anos, porque meu avô pediu à minha mãe para me iniciar. Depois desse tempo, fui retomar mais tarde, aos treze anos, quando morando na Aldeia Nova Olinda, no Rio Envira, convivi com parentes que conheciam a tradição da bebida mas não estavam trabalhando com ela, e quando eu recebi um sinal na mata me ensinando a conhecer o cipó, e levei uma amostra desse cipó, que encontrei por permissão das forças da natureza mesmo, o pajé de lá ficou muito feliz desse acontecimento e foi essa a primeira vez que eu preparei o nishipae, e assim é que eu também me interessei em começar a aprender os cantos tradicionais do "huni meka" para acompanhar as tomas de aiauasca. Aos dezesseis anos voltei para meu município de origem, que é Tarauacá, indo morar na Aldeia Binkuin na Terra Indígena do Igarapé do Caucho, e lá fui escolhido como primeiro coordenador de cultura deles, responsabilizando-me por todas as atividades de nossa tradição como os rituais de batismo, katxatirim, a preparação dos rapés, tudo isso... Então assim como eu felizmente existem muitos jovens hunikuins que vêm dedicando-se a esse estudo, formando-se novos pajés a partir da dedicação de nossos mais velhos em ensinar tudo aquilo de bom que tem a nossa cultura. Nesse sentido o pessoal de Tarauacá, Jordão e Marechal Taumaturgo são privilegiados por terem mais chance de ter esses professores que são os pajés antigos, sei que em outras terras indígenas muitas vezes faz falta ter alguém que possa ensinar, mas nossa intenção é usar a tecnologia de agora para facilitar essa comunicação e poder expandir esse conhecimento entre todos nossos parentes.

- Como é a relação entre o pessoal das cidades acreanas ligado às igrejas da aiauasca (Daime ou Vegetal) e vocês, indígenas, que são origem desse conhecimento do uso da aiauasca para as curas?
- Eu mesmo não sabia da existência dessas igrejas até meus dezesseis anos, quando conheci no município de Feijó a "União do Vegetal em Cristo", do Irmão José, que foi uma pessoa que muito tempo atrás foi iniciado com o Mestre Irineu e formou lá uma escola espiritual própria e de muita luz no astral. Fiquei maravilhado com esse trabalho e busquei também expandir esse estudo para os parentes que se interessassem nessa formação cristã. Mas outros parentes meus já conheciam principalmente o Daime, pela convivência com sertanistas que conheciam os hinários do Alto Santo e cantavam entre nós quando tomavam aiauasca nas aldeias, em especial os txais Antonio Macedo e Terri Aquino. Lá no Jordão e no Alto Envira a produção de couro vegetal surgiu também como um projeto da União do Vegetal (UDV), e até hoje tem centro deles lá nos municípios. Eu ajudei então a formar em minha aldeia uma escola da doutrina do Santo Daime, coordenado na terra e no astral pelo Mestre-Império Juramidam, e foi interessante que a instrução que foi recebida para isto deixou claro que a tradição do nishipae continuaria sendo trabalhada, com mais vigor, em sua casinha própria, sem mistura com outras manifestações em língua portuguesa: ali só se canta e só se fala em nosso próprio idioma que é o rã-txa-kuin. Já o centro do daime é utilizado só para as sessões da linha do Mestre mesmo, pois é muito bom que cada estudo tenha seu setor próprio. Hoje temos em Tarauacá o Centro de Iluminação Cristã Patriarca São José, e na Terra Indígena do Humaitá fica a primeira sede, chamada "Jesus, Maria e José". Mas a convivência com a irmandade daimista do Brasil e do mundo é sempre a melhor possível, já que nossos interesses são comuns desde que estejamos preservando e zelando nossa Mãe Natureza.

- Qual o objetivo desta sua viagem ao nordeste?
- Eu venho com pouco tempo, porque estou comprometido em ir conduzindo a próxima expedição da Frente de Contato com os Índios Isolados da Funai, que irá em dezembro no Alto Humaitá, e essa é uma função muito importante para a qual fui escolhido. Mesmo assim eu quis vir, primeiramente ao Maranhão para conhecer a terra natal do Mestre Irineu e o trabalho que sua família está construindo em São José do Ribamar com o Centro de Iluminação Cristã Estrela Brilhante, aqui com o padrinho Daniel Serra, o que me deixa muito feliz de estar realizando esse sonho e conseguir aqui uma conexão direta com essa missão dele. Além disso, estou dedicado a abrir caminhos para futuros projetos da Federação Hunikuin, que representa toda a população de minha etnia no Acre, no tocante a divulgação e comercialização de nosso artesanato. As pajelanças que estou realizando, e nas próximas semanas estarei no Ceará, Paraíba e Pernambuco nesse roteiro, têm a finalidade de trazer força para esta união dos amigos da floresta e zeladores da natureza, sendo também um meio de trazer um pouco da nossa cultura para a apreciação dos irmãos nordestinos que nas suas origens tem os trabalhos com a jurema como manifestação indígena também, de resistência mesmo contra a invasão da cultura européia, e podem conhecer no nishipae nossa celebração e nosso congraçamento.

Maiores informações e contatos com Siã: siankanabixi@gmail.com

Querem punir os índios pelos crimes dos brancos

Mapa do Imazon mostra as terras indígenas (em laranja) e pontos da devastação ocorrida em setembro (em vermelho). Segundo o instituto, apenas 3% do desmatamento desse período ocorreu dentro de reservas indígenas, apesar delas ocuparem 21,6% da Amazônia. (Foto: Imazon/Divulgação)

A Câmara analisa o Projeto de Lei 5442/09, do deputado Dr. Ubiali (PSB-SP), que retira o usufruto das terras indígenas onde seus habitantes cometerem crimes ambientais - previstos na Lei de Crimes Ambientais (9.605/98). A medida valerá apenas para as ações transitadas em julgado . "Quando a União destina uma determinada área para o usufruto indígena, centenas de agricultores, posseiros de boa-fé e proprietários são expulsos para que seja entregue e ocupada unicamente pelos índios", destacou o parlamentar.

Para o deputado, constatado o uso criminoso de determinada gleba, "nada mais justo que ela seja desafetada e possa vir a ter nova destinação, transformando-se numa unidade de conservação da natureza, ou, se vocacionada para as atividades agropecuárias, possa ser destinada ao assentamento de trabalhadores rurais", acrescentou.

A proposta não detalha se a regra terá aplicação distinta se o crime for cometido individual ou coletivamente. O projeto será analisado em caráter conclusivoa pelas comissões de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável; de Direitos Humanos e Minorias; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.
A meu ver, o deputado está muito alienado da realidade das terras indígenas, onde os verdadeiros corruptores e agentes de devastação são os brasileiros dos arredores que consideram os índios ingênuos e medrosos:
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"A ideia, segundo o autor do projeto, o deputado Dr. Ubiali (PSB-SP), é que os próprios índios se fiscalizem. “O objetivo maior não é puni-los, mas que eles sejam responsabilidades por atividades para as quais hoje se faz vista grossa”, afirma.

Pelo projeto de lei, qualquer condenação em última instância – depois que são apresentados todos os recursos – por um crime ambiental cometido em uma terra indígena faria com que essa reserva fosse cancelada, e todas as pessoas que morassem ali perdessem o direito de viver no local. “Se você tiver uma exploração ilegal em uma área de uma determinada tribo, é quase certo que isso é do conhecimento de todos, e se eles ignoram, são coniventes”, diz Ubiali.

Para a advogada Paula Souto Maior, do Instituto Socioambiental (ISA), o projeto fere a constituição, pois estabelece uma punição coletiva aos indígenas. “A pena não pode passar para a família da pessoa que cometeu o ato ilegal”, afirma.

Segundo Ubiali, contudo, a punição à comunidade toda pode ser aplicada no caso dos índios. “É uma punição coletiva porque o crime é coletivo. Na tribo, você não tem um indivíduo cometendo um ilícito. Não há a figura do indivíduo dentro de uma tribo. A tribo tem um comportamento como um todo”, argumenta o parlamentar.

O líder indígena Aílton Krenak, conhecido por defender a Amazônia junto com Chico Mendes na década de 1980, discorda do deputado. Segundo ele, cada pessoa deve ser tratada separadamente e a própria legislação brasileira já prevê punição individual para índios que cometem crimes. “Como se pode dizer que crianças, velhos e outras pessoas da comunidade devam responder por quem cometeu um crime?”, questiona.

Apesar de haver problemas ambientais dentro de terras indígenas, esse é o tipo de reserva em que há menos desmatamento. Segundo os dados de devastação de setembro de 2009, publicados pela ONG Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia), houve 216 km² de desmatamento nesse mês. Desses, apenas 5 km² (3%) teriam ocorrido dentro de terras indígenas, apesar desses territórios ocuparem 21,6% da Amazônia brasileira. Os parques e reservas estaduais, por sua vez, sofreram 15 km² de desmatamento, e ocupam 20% da Amazônia.

“As terras indígenas têm se mostrado mais eficazes para a conservação da floresta do que as unidades de conservação [parques e reservas] que se beneficiam do aparato do Ibama, das secretarias de meio ambiente dos estados, e que têm gente trabalhando fazendo a manutenção e monitoramento dessas unidades”, diz Krenak.

Questionado sobre a possibilidade de seu projeto ser aplicado também a propriedades privadas, Ubiali afirma que pretende apresentar uma emenda para que donos de terra também possam perder suas fazendas. De acordo com ele, a ideia será apresentada durante as discussões na Câmara para alterar o Código Florestal – lei que define, entre outras coisas, o quanto deve ser preservado dentro de cada terreno rural.

A proposta sobre terras indígenas tramita na Comissão de Meio Ambiente e, caso seja aprovada por essa e outras comissões, não precisará ir para votação no plenário para seguir ao Senado".

Fonte: Reportagem de Iberê Tenório em Globo Amazônia.

8 de novembro de 2009

Tem abacaxi polonês na aldeia


Curiosidade: uma propaganda européia mostra um refrigerante de abacaxi chegando a uma aldeia indígena da Amazônia e a reação dos "selvagens" moradores.

Kofola é um dos principais produtores de refrigerantes na Europa Oriental. A empresa está presente na República Checa, Eslováquia, Polónia e Hungria, bem como a exportação dos seus prodcuts para outros países. Em 2005, uma moderna unidade de produção foi aberta na cidade polaca de Kutno. O portfólio de produtos Kofola inclui uma cola tradicional, com base em uma receita original 'Kofola', uma linha de sucos de frutas 'Jupi', xaropes e uma gama de refrigerantes para as crianças.

Para mais informações sobre Kofola e seus produtos, visitem os sites: www.jupiland.com www.kofola.pl e www.jupik.com.

Mapuches sem Pátria

Jovens e anciãs mapuche em cerimônia wiñoy xipantu em Neuquén.

A questão é exemplar e muito importante, mas muito pouco veiculada nos meios de comunicação no Brasil, motivo pelo qual traduzo aqui o artigo "O debate mapuche", de Dario Aranda, publicado no jornal argentino Pagina 12:

"Comunidades indígenas e acadêmicos advertem sobre uma ofensiva midiática e judicial contra os Mapuche, que busca “demonstrar” que provêm do Chile para negar-lhes direitos sobre as terras. O avanço contra o Povo Mapuche aparece em um contexto de crescente reivindicação de seus direitos, o pedido de judicialização dos movimentos sociais e o recente assassinato de um membro do povo diaguita em Tucumán.
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"Os mapuches provêm do Chile". "Os mapuches mataram aos tehuelches, que eram indígenas argentinos, bons e serviçais". "Os mapuches não têm direitos sobre os territórios que ocuparam". Os três eixos conformam a cadeia argumentativa utilizada na "Campanha para o Deserto", que foi retomada com insistência nos últimos meses pelos grandes fazendeiros nucleados na Sociedade Rural e os meios de comunicação que lhe são afins para exigir repressão frente às reclamações dos povos originários.
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O mundo acadêmico, que sobre a base de provas contundentes tinha dado por encerrado o debate, reagiu primeiro com rechaço e logo com preocupação. “A Faculdade de Filosofia e Letras da UBA repudia a aparição de artigos jornalísticos que desacreditam a pré-existência do povo originário mapuche, desconhecendo legislações vigentes e a produção científica das últimas décadas”, denuncia um comunicado do Conselho Diretivo dessa casa de estudos.
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O ataque contra o pueblo mapuche aparece em um contexto de crescente reivindicação de seus direitos (com o correlativo aumento da conflitividade), o pedido de judicialização dos movimentos sociais e o recente assassinato de um membro do povo diaguita em Tucumán.
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Crecencio Pilquimán tem 73 anos e sempre viveu em Paraje Cerro Bayo, no inóspito deserto de Chubut. É membro da comunidade aborígene Lagunita Salada, Gorro Frigio e Cerro Bayo. Em 2007 teve que recorrer à Justiça porque o Instituto Autárquico de Colonización (IAC) havia cedido campos comunitários a um fazendeiro da zona. Segundo deixa claro a Constituição Nacional, a Constituição Provincial e o Convênio 169 da OIT, se devia consultar à comunidade antes de decidir qualquer medida que possa afetá-la. Mas nem sequer se lhe informou.
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Houve uma primeira medida favorável à comunidade, mas logo a Justiça rechaçou a ação de amparo, apesar de demonstrar-se que no predio havia um cemitério onde jaziam seus antepassados. O caso chegou à Corte Suprema de Justiça, que ainda não se manifestou. Mas o particular e preocupante foi que o advogado do fazendeiro, Eduardo Zabaleta, se baseou na suposta “chilenidade” do povo mapuche para negar-lhe o direito a seu território. Utilizou como fonte e contratou como perito ao "historiador" patagônico Rodolfo Casamiquela (funcionario na ditadura militar), referente da teoria de mapuches invasores e assassinos.

“A particularidade do caso é a utilização de um argumento errôneo, amplamente difundido como certo na opinião pública, mas refutado pela história e pela antropologia, que pretende demonizar ao povo mapuche e arrebatar-lhe direitos estipulados na Carta Magna e tratados supranacionais”, explicou Eduardo Hualpa, advogado especializado em direito indígena e defensor de Pilquimán.
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A Confederação Mapuche de Neuquén (CMN) é hoje o alvo de certos meios de comunicação e fazendeiros. À frente da ofensiva está o empresário Carlos “Nuno” Sapag (irmão do governador de Neuquén, Jorge Sapag), integrante ativo da Sociedade Rural. “São respaldados por membros das FARC e terroristas de ETA que se encontram no Chile. Têm armas e se financiam com o narcotráfico”, afirmou Sapag em uma entrevista. A única prova foi um artigo do conservador diário chileno El Mercurio.
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A Confederação Mapuche informou que as comunidades enfrentam 32 causas penais (com mais de 150 imputados), advertiu sobre a “discriminação racial institucionalizada”, a falta de titulação de territórios, o avanço de empresas extrativas, os desalojamentos compulsivos e a criminalização crescente.

“A razão fundamental desta perseguição midiática se deve a que o povo mapuche quer trazer à luz a maneira fraudulenta e ilegal em que se apropiaram da terra indígena, mal chamada ‘terra pública’, onde privados especuladores contaram com a cumplicidade de organismos públicos. É urgente um pacto com o Estado para gerar a restituição territorial”, afirmou Jorge Nahuel, porta-voz da Confederação. Diante da continuada ação desses meios de comunicação, a Confederação lançou um comunicado. “Nos inventam desoriginados, alheios, afastados. No Chile dizem que somos de Argentina, que os invadimos. Em Argentina repetem que somos de Chile. Tais transmigrações se produziram quando nem Chile nem Argentina haviam nascido”, explicam e comparam: “Às multinacionais mineradoras e petroleiras que nos saqueiam ninguém lhes pede explicações sobre suas origens e as leis as protegem com eficácia”.
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No polêmico e não-resolvido caso Pilquimán, o Tribunal não se manifestou sobre o fato histórico, mas solicitou pericias científicas à Unidade de Antropologia e Arqueologia do Centro Nacional Patagônico (Cenpat), representada por seu diretor, Julio Vezub. “O registro arqueológico, histórico e etnográfico documenta o povoamento milenar do interior patagônico (...) e a continuidade étnica e familiar entre os atores (comunidade indígena) e a ocupação histórica, anterior à expansão do Estado nacional e a chegada dos imigrantes”, precisa Vezub, e rebate falsas verdades: “As classificações rígidas que associam mapuche com indígena chileno e tehuelche com indígena argentino foram desestimadas pela ciência antropológica e histórica dos últimos trinta anos. Estas identidades se anteciparam ao traçado dos limites nacionais e se configuraram territorialmente a ambos lados da cordilheira dos Andes”.
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A antropóloga, docente e pesquisadora da UBA Diana Lenton também se apresentou na causa judicial. Recordou que esse discurso (do “haver chegado depois”) foi utilizado recorrentemente durante a Campanha para o Deserto e até na década de ’30 para despojar aos indígenas de seus territórios e para deslegitimar seus reclamos. “O mesmo tópico argumentativo surge uma e outra vez. Adquire maior importância se advertimos que o discurso legal constrói seus contextos em base a (esses) outros discursos”, alerta.
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Na última semana de outubro, e numa medida não usual, o Conselho Diretivo da Faculdade de Filosofia e Letras da UBA emitiu uma “declaração de repúdio ante a aparição de numerosos artigos jornalísticos que agravam ao povo mapuche”. Só menciona ao diário La Nación, mas adverte sobre outros meios de circulação regional na Patagônia. “A luta do povo mapuche pela terra vem sendo silenciada e reprimida pela pressão que exercem os interesses de grandes corporações imobiliárias na região. Estas notas não são alheias a estes interesses, dado que tergiversam os conteúdos das reivindicações mapuches reproduzindo uma perspectiva racista e essencialista acerca dos processos identitários”, denuncia a faculdade e insta aos meios massivos de comunicação a “abordar a temática com a complexidade e responsabilidade correspondente."

Publicado por Radio Mapuche Wajzugun . Leiam mais sobre a Cultura Mapuche e sua riquíssima Cosmologia em Astronomia Chile

6 de novembro de 2009

Pirataria no Xamanismo


"Nas tradições indígenas, o pajé é a expressão máxima representada, em forma humana, da espiritualidade e da cura. Seu dom é nato, porque é passado de geração para a geração. Nenhum pajé faz curso para ser pajé, ele adquire conhecimentos através da ancestralidade tribal, e desde a sua infância, ao ver seus avós e bisavós praticarem curas e rezas pelo bem da comunidade. O pajé é um ser totalmente desprovido de valores materiais. É um visionário nato. Seu maior bem é o dom ofertado com honras pelo Criador. Ele está sempre em conexão com o mundo atemporal, com atitudes concentradas e observadoras. O pajé é um sábio e está sempre disponível para atender o seu povo, doando sua cura de forma "solidária". Não há uma relação capitalista entre pajé e doente, entre o pajé e a comunidade. O pajé e sua pajelança representam, na realidade, a maior expressão nata dos conhecimentos tradicionais, a propriedade intelectual indígena, mesmo que ele não tenha conhecimentos científicos para compreender a defesa dos seus direitos indígenas. Por outro lado, cada pajé pertence a uma etnia específica indígena provida de valores, costumes, crenças específicas. Um pajé de uma certa etnia pode agir de forma distinta de um pajé de outra etnia. O pajé pode ter, se quiser, uma relação capitalista com indivíduos urbanos, pois o seu ofício equivale ao de um médico entre nós.
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O xamanismo é um termo que designa a filosofia de estar em viagem entre mundos mentais, físicos, espirituais, psicológicos. Não é uma religião. É uma forma de estar na vida e no Planeta. Povos contestadores das religiões impostas adaptaram-se a esse estar no mundo, ao longo do tempo. Antigos povos já praticavam essa filosofia. Na modernidade, seres conscientes adquiriram o sentimento de amor pela Mãe-Terra e entenderam que era necessária a prática da conservação do Planeta Terra - daí todo "ser xamânico" ser holístico. Aqueles que verdadeiramente estiverem dentro desses padrões, são Visionários. Os que mentem ou comercializam a fé, não permanecerão
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O leio em uma busca na web e reflito. Ricardo Kelmer complementa em "Xamanismo da vida fácil":
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"O antigo sistema das sociedades primitivas, que girava em torno do xamã e sua técnica do êxtase, é o novo xodó dos místicos de fim de semana. Agora espaços esotéricos oferecem cursos de xamanismo e muitos "formam xamãs". É como fazer um curso para tornar-se gênio. Gênios existem, claro, mas o último lugar para encontrar um, pode ter certeza, seria num curso para gênios. O xamanismo, a rigor, é um fenômeno religioso originário de sociedades primitivas da Ásia central e siberiana e que tem no xamã o centro da vida mágico-religiosa da comunidade. Por dominar as técnicas do êxtase e ser capaz de acessar mais facilmente estados especiais de consciência e, com isso, se locomover com fluidez pelas várias dimensões da realidade, aos xamãs era atribuída a competência de intermediar o mundo físico e o espiritual, utilizando o conhecimento adquirido nas incursões ao além para ensinar, curar, realizar atos milagrosos e também entreter os membros da comunidade.
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O xamã encarnava em si as funções de professor, sacerdote, feiticeiro, médico e muitas vezes poeta e artista. Nessas sociedades não havia curso de fim de semana para formação xamanística. Excluindo-se raras exceções, alguém se tornava xamã por vocação natural: o indivíduo era simplesmente compelido a aceitar o fato, mesmo a contragosto. Era comum também a transmissão hereditária do ofício. Em qualquer das vias, antes de ser reconhecido como xamã, o indivíduo (em geral homem) inevitavelmente passava por um delicado e doloroso processo de iniciação. Esse processo podia ser desencadeado naturalmente por uma doença ou sistematicamente ritualizado sob orientação de um xamã experiente. É isso que permitia ao futuro xamã efetuar uma notável reintegração psíquica, aflorando suas potencialidades e preparando-se convenientemente para as funções que desempenharia.
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Não pense que essa preparação era algo, digamos, festivo. Longe disso. Como todo verdadeiro processo de iniciação, nesse também havia dúvidas, temores e sofrimentos difíceis de suportar. O futuro xamã experimentava a morte e a ressurreição místicas, padecendo terrivelmente sob todos os horrores de seu inferno íntimo para depois emergir à vida cotidiana sobrevivido e triunfante, mais sábio e mais forte. Somente se submetendo a todos os rigores desse processo de morte e renascimento pessoal é que o indivíduo podia se tornar um xamã. Para nós, ocidentais civilizados, entendermos melhor o que se convencionou chamar xamanismo, é preciso ter sempre em mente que os antigos compreendiam a Terra como um ser vivo, dotado de uma espécie de inteligência e vontade própria, e os seres humanos, assim como animais, plantas e minerais, eram parte integrante do imenso organismo planetário, todos igualados em importância. Mais que um ser vivo, entretanto, a Terra era a Grande Mãe, que gera e nutre todas as suas criações com infinito amor, ensinando e guiando os seres humanos vida afora. Assim sendo, a Natureza inteira era algo sagrado e desrespeitar suas leis era atentar contra a própria vida, contra toda a comunidade e contra a Sagrada Mãe.
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O xamã, nesse contexto de espontânea interação com a Natureza, é alguém dotado de poderes especiais para manter-se num contínuo estado de profunda comunicação com o espírito da Terra, a quem jurou obedecer e defender até o último de seus dias. Como se possuísse antenas hiper-sensíveis, o xamã está intimamente conectado à alma da Terra e por isso vive em si mesmo o equilíbrio vital do planeta, imperceptível à maioria: se a Terra adoece, ele adoece também. Em reconhecimento à sua lealdade e reverência, a Grande Mãe põe à disposição do xamã segredos do mundo animal, vegetal e mineral, para onde ele, em espírito, vai frequentemente em busca de informações úteis ao bem-estar de sua comunidade. Quanto mais ele sabe, mais servo se torna. Quanto mais se anula, mais ele pode. Em contraste com a humildade espiritual desses antigos guardiães da tradição xamânica, muitos dos que hoje se dizem xamãs ostentam o título feito um estandarte, anunciando as maravilhas que têm para oferecer. Se de fato entendessem o que significa a função que tanto se pretendem impor, jamais vestiriam a antiga tradição com roupas tão vistosas e muito menos a exibiriam em poses tão constrangedoras nas vitrines coloridas de seus cursos. "
Hoje em dia proliferam xamãs profissionais. Está certo que nas origens da própria religião estava o teatro, estruturando rituais coletivos de grande complexidade dramática. Está certo que na urbanidade há a carência de conexão com a natureza viva, conexão esta que o xamanismo e sua ritualística propiciam. Entretanto, não existe xamã que possa ser professor sem nunca ter sabido ser aluno e aprendiz, por mais dons inequívocos que alguém porventura tenha herdado de vidas passadas ou de antepassados. Para saber ensinar é preciso primeiro saber aprender, e não é isso que se encontra em muitos que se pretendem xamãs, pelo contrário, há muito autodidatismo baseado em leituras apressadas (muitas vezes de traduções truncadas) de relatos etnológicos ou depoimentos de xamãs. Para os verdadeiros pajés e xamãs, esta é outra faceta da pirataria cultural e também da biopirataria, mais uma forma de exploração do conhecimento tradicional indígena por parte dos ditos "civilizados", sem nenhum retorno ou vínculo com as populações portadoras deste conhecimento sagrado. Aos que queiram seguir nessa trilha, é bom estar alerta contra as falsas aparências e as escolas de xamanismo abertas por alguns que se dizem "iluminados", para não se cair no culto à personalidade e no vazio das falsas correntes espirituais. Busquem a autenticidade, e ela estará a seu lado, pois quem busca a desonestidade, nela própria vive enredado.

Racismo Nunca Mais

Ramão Machado em foto de Egberto Nogueira (Veja)


"O Observatório Nacional de Advogados Indígenas Regional do MS (ODIN/MS), tendo em vista o recebimento de várias denúncias de criminalização de líderes indígenas, e outros que já se encontram enclausurado, bem como a discriminação por parte do comércio em Mato Grosso do Sul, alguns comércios (maioria) tem se negado a vender cervejas aos índios, a pretexto de: segundo a gerência, haver lei proibindo a venda de bebidas alcoólicas aos índios.
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O ODIN tem habilitado nos processos onde flagrantemente as lideranças indígenas, respondem a processos sem nenhum acompanhamento por parte da procuradoria especializada da FUNAI, é o primeiro passo para "desorientar" toda uma comunidade indígena é prendendo seu líder, falo isso enquanto índio que sou e tenho conhecimento de causa, foi assim na aldeia de Dourados após a prisão do grande líder Ramão Machado (in memoriam), de lá para cá apedrejamento de transeuntes na rodovia 156, muitos jovens índios mutilados a facão, estupros, assassinatos prostituição infantil, e toda sorte de infortúnios.
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Por outro lado excepcionado pela lei, tem se transformado em regra pela falta de conhecimento e a má interpretação do estatuto normativo indígena, por parte dos operadores do direito. Cujo técnico jurídico há que interpretar à luz da Constituição de 88, tendo em vista que o sobredito estatuto normativo teve vários artigos derrogados pela CF. Senão vejamos: Embora a Lei 6001, de 19 de Dezembro de 1973, seja Lei especial, destinado a reger a vida e as ações dos povos indígenas no Brasil, não se é exigido do estudante das ciências jurídicas estudá-la. Exige-se, e, até existem cátedra, a leis que tratam de animais (fauna) de plantas (flora) e etc.
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O capitulo II com preâmbulo Dos Crimes Contra os Índios, no art. 58, o caput diz o seguinte: Constituem crime contra os índios e a sua Cultura: e descreve no inciso III - "propiciar, por qualquer meio, aquisição, o uso e a disseminação de bebidas alcoólicas, nos grupos tribais ou entre índios NÃO INTEGRADOS. Não precisa ser um expert em ciências jurídicas, para saber que a lei esta excepcionando aqueles índios não integrados, logo, nos remete ao art.4º, do mesmo diploma legal, onde classifica os índios em isolados, em vias de integração e integrados. O caput do referido art. Diz: "os índios são considerados: I - Isolados – quando vivem e grupos desconhecidos ou de que se possuem poucos e vagos informes através de contatos eventuais com elementos da comunhão nacional; "apenas e tão somente aos índios isolados, o tipo penal descreve a proibição e prevê a respectiva pena".
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Esses preconceituosos racistas não conseguem entender; quando o juiz julga e condena o índio mandando-o para prisão, este, o faz por entender que o índios do MS está integrado, já os racistas interpretam que seus fregueses índios, mesmo lhes proporcionando lucros, e frise-se, recolhendo os impostos devidos, ainda assim estão na condição de índios não integrados
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A Lei 7.716, de 05 de Janeiro de 1989, define os crimes resultantes de preconceito de raça ou cor. O seu Art. 5º Recusar ou impedir acesso a estabelecimento comercial, negando-se a servir, atender ou receber cliente ou comprador. Pena: reclusão de um a três anos.
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Muitos comerciantes racistas estão lançando mão do inciso III, do Artigo 58, da lei 6001 de 19 de Dezembro de 1973, para simplesmente discriminar o índio, até mesmo os indígenas graduados em curso superior. Devo lembrar que a própria polícia pode responder por discriminação, quando ameaçar a prender um indígena por estar tomando uma cerveja, pois a ninguém é dado desconhecer a LEI, principalmente agentes da lei!
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Racismo é crime inafiançável e imprescritível. (Art. 5.º, XLII, CF). Segundo a Constituição Federal, todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza. A Carta Magna diz, também, que constituem princípios fundamentais da Republica Federativa do Brasil o de promover o bem comum, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade ou quaisquer outras formas de discriminação. "
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Fonte: O Progresso, artigo de Wilson Matos da Silva, índio residente na Aldeia Jaguapirú, advogado, pós-graduado em Direito Constitucional, presidente da CEAI OAB/MS, e diretor regional do ODIN/MS, Observatório Nacional de Direitos indígenas. E-mail do autor: matosadv@yahoo.com.br.

5 de novembro de 2009

A Família Pano

Julio Cusurichi, líder Shipibo da região amazônica do Peru, que ganhou o Prêmio Ambiental Goldman 2007 para América Central e do Sul, falando com os jornalistas em Lima durante um protesto contra os direitos de exploração concedidos a companhias internacionais de petróleo pelo governo peruano em áreas onde afirmam que as tribos indígenas vivem em isolamento voluntário. O letreiro diz em espanhol "Parcela 113, Indígenas Isolados Mashcu-Piro, Yine e Amahuaca. Madre de Dios Reserva Territorial. Descanse em Paz".


Segundo ERIKSON (1998), a família Pano possui uma grande homogeneidade territorial, linguística e cultural distribuída em três países: Brasil, Bolívia e Peru. De acordo com SHELL (1975), essa família conta com cerca de três dezenas de línguas faladas por aproximadamente 40.000 pessoas, sendo 30.000 só no Peru, cerca de 8.200 no Brasil e umas 800 na Bolívia. Segundo AMARANTE RIBEIRO (2003), as etnias Pano ocupam juntamente com povos falantes de outras famílias linguísticas um vasto território (100 milhões de hectares) de forma aproximadamente quadrangular limitado pelos paralelos 3° S e 14º S e pelos meridianos 72° W e 64° W na região amazônica. Seus representantes habitam as áreas adjacentes aos rios Purus, Juruá, Madeira e seus afluentes.

Quanto às línguas que compõem a família Pano, a literatura menciona 26 vivas, ou seja, aquelas que ainda são faladas por povos localizados no Brasil, Bolívia e Peru. A distribuição das línguas nos três países é a seguinte: 12 no Brasil (Arara, Katukina, Kaxarari, Korubo, Kulina, Marubo, Matis, Nawa, Nukini, Poyanáwa, Shanenawa e Yawanawa), duas na Bolívia (Chácobo e Pakawara) e nove no Peru (Amawaka, Iskonawa, Kapanawa, Kashibo-kakataibo, Mastanawa, Shipibo-Konibo, Sharanawa, Xitonawa e Yoranawa). Outras duas, o Kaxinawa e o Matsés, são faladas tanto no Brasil como no Peru e uma última, o Yaminawa, é falada concomitantemente nos três países que possuem povos Pano. Infelizmente, uma parte considerável dessas 26 línguas encontra-se em processo de extinção, correndo o risco de se juntarem a outras 10 que, no século passado, não puderam escapar desse processo. São elas: o Nokaman, o Panobo, o Remo, o Atsawaka, o Arazaire e o Yamiaka (todas faladas no Peru); o Kanamari Pano, o Tuxinawa e o Karipuna Pano (faladas no Brasil).

Uma característica singular dos povos Pano é o contraste entre sua homogeneidade linguística, cultural e territorial, e o fato de que, em geral, esses povos ignoram a existência de outras etnias de línguas da mesma família a não ser que sejam vizinhos muito próximos. A exceção ocorre no contato que se estabelece durante os encontros realizados pelas Secretarias de Educação para treinamento de professores bilíngues ou encontros políticos multilaterais. Muitos povos Pano, como se nota na citação acima, têm nas palavras usadas para nomeá-los um sufixo peculiar {-bo} ou o radical {-nawa} que significam ‘povo’, ‘estrangeiro’ ou mesmo ‘inimigo’, dependendo do contexto em que são usados. Isso nos faz concluir que os nomes citados neste projeto não se tratam de auto-denominações, mas de atribuições feita por membros de outras etnias.

Do ponto de vista científico, as línguas Pano têm sido estudadas, além do GICLI, por pesquisadores de renomadas instituições brasileiras e sul-americanas como a UNICAMP, o Museu Nacional do Rio de Janeiro, a UFRJ, a UFG, a UFPE, UFAL, a Universidade de São Marcos, no Peru, entre outras.
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4 de novembro de 2009

A resistência da Jurema


A Jurema pode ser considerada a religião primaz do Brasil, de forte relevância no nordeste e norte do país. Estas religiões de matrizes indígenas com suas nuances africana e portuguesa, sempre estiveram associadas às manifestações da religiosidade popular e às classes menos favorecidas, historicamente desassistidas em sua Cidadania e quanto aos Direitos, também historicamente estas referências culturais estiveram à margem dos padrões determinados pelos poderes hegemônicos:

"O enraizamento lingüístico do termo Yu'rema na língua tupi é um forte indício de que o uso primordial, inclusive cerimonial do vinho da Jurema, além de ser herança da cultura indígena, regional, certamente já existia antes da presença dos colonizadores.

Se bem que dispomos de fontes documentais sobre esta planta, já do século XVI, Câmara Cascudo refere-se a um primeiro registro oficial - registro de óbito do índio Antônio, da cidade de Natal (RGN), de 2/6/1758 : "Sabia-se que este estava preso por razões do sumário que se fez contra os índios de Mopibu, os quais fizeram adjunto de jurema, que se diz supersticioso".

Ainda do século XVII e XVIII, registros disponíveis dão conta que a Jurema, enquanto vinho alucinógeno, foi também usada na região amazônica. Além de movimentos migratórios, como o movimento messiânico de época cabralina dos guaranis em busca da terra sem mal - Lima apela também para o envio de índios juremeiros do Nordeste para combaterem os invasores franceses no Maranhão, como hipótese explicativa da expansão deste uso sagrado da Jurema, para além do Nordeste.

Constatamos por um lado que o uso primordial e cerimonial da Jurema sagrada passou desapercebido ou não pode ser observado e descrito por colonialistas viajantes, naturalistas e outros estudiosos nestas terras, numa primeira fase considerada diabólica, "mágica" ou bruxaria pelos colonizadores católicos ou mesmo pelos inquisidores, tudo o que fizesse parte do sistema médico-religioso autóctone, parece entretanto que a Jurema foi tolerada e aceita, quando canalizada pela lógica da guerra de portugueses contra franceses, no Brasil colonial.

Alimentado esta hipótese da tolerância e cooptação dos guerreiros-juremeiros, pelas forças colonizadoras acrescentamos que as fontes levantadas por Lima, são assinadas pelas próprias autoridades religiosas ou militares, mesmo que se exiga mais dados etnográficos confiáveis.

É do Padre Doutor J.M. Noronha, em seus escritos da Vila de Barcellos, Pará, 1768, que "nas festividades maiores usam os que são mais hábeis para a guerra da bebida que fazem da raiz de certo pau chamado Jurema cuja virtude é nimiamente narcótica".

Quanto ao uso do vinho da Jurema, entre indígenas no Nordeste, não apenas pelos chefes religiosos, ou velhas cantadeiras, como também pelos guerreiros, Pereira de Alencastre em suas Memórias de 1857, confirma que isto era feito
specially before going to war" .


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