25 de janeiro de 2008

Peiotismo

Arte da Cultura Huichol (México) representando as visões do Peiote

"O primeiro relato sobre o peiote foi feito em 1560 pelo frei franciscano Bernardino de Sahagún, cronista da Nova Espanha, em sua Historia general de las cosas de Nueva España, publicada na Europa em 1880.

A forma de peiotismo encontrada pela primeira vez pelos conquistadores espanhóis persiste entre várias tribos do norte do México e se caracteriza como um complexo culto comunitário, que enfatiza o papel do xamã. Ele, através do uso do peiote e também de outras plantas, realiza rituais de cura de doentes ou possuídos por maus espíritos. Tradicionalmente o peiote era coletado inteiro e cuidadosamente esmagado em um pilão até a obtenção de uma pasta, que era então misturada com água ou com uma bebida a base de milho fermentado, o "tesguino". Os indígenas usavam também ingerir a parte superior da planta fresca ou seca.

O conhecimento da grande importância do peiote na vida religiosa e social dos indígenas, aliada à intolerância do clero católico, levou os conquistadores espanhóis, ávidos em impor sua cultura, a combaterem veementemente o uso da planta entre os nativos, concluindo que os "milagres" ligados a ela somente poderiam ser obra do diabo. No entanto a repressão imposta teve efeitos quase nulos, pois os indígenas continuaram a usar o peiote e professar suas crenças, surgindo então um sincretismo com os cultos católicos, que foi também combatido pelo clero e condenado até a morte pela Inquisição.

No século XIX os índios americanos apaches, kiowas e comanches levaram o peiotismo para o sudoeste dos Estados Unidos, de onde se espalhou até os Grandes Lagos, chegando ao território canadense. O culto praticado era, no entanto, diferente do peiotismo mexicano e se caracterizava por uma atividade mais individual e contemplativa.

No início do século XX, as diversas tribos americanas que professavam o culto foram unificadas na Native American Church, que sofreu também impiedosa repressão. Ela porém persistiu e é hoje uma organização que congrega milhares de indígenas americanos e canadenses, tendo o uso do peiote, somente nesse caso, permitido por lei.

A fama do peiote chegou até o meio científico europeu no final do século XIX. Químicos, farmacólogos e médicos desejaram conhecê-lo e experimentar seus efeitos.

A primeira publicação a respeito da química do peiote foi feita pelo farmacologista alemão Louis Lewin, em 1888. Ele extraiu da planta, fornecida pela Companhia Parke-Davis, o alcalóide ao qual chamou anhalonina, baseado na classificação botânica incorreta do peiote naquela época: Anhalonium lewinii. Este material não produziu efeitos alucinógenos e provavelmente era uma mistura de diversos alcalóides. Outros farmacologistas alemães começaram a estudar o peiote, e em 1897 Arthur Heffter publicou o isolamento e as propriedades farmacológicas de cinco alcalóides presentes nele. Por experimentação em animais e auto-experimentação ele determinou que um deles era a principal substância psicoativa da planta, a qual denominou mescalina. Esse foi o primeiro estudo sistemático de um material psicodélico de ocorrência natural."

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Fonte: "Peiote, o cacto sagrado", de Gilson Cruz da Silva e Ligia Maria Marino Valente. Leia mais sobre o Peiote em Mind-Surf.

2 comentários:

Curupira disse...

Ola, é mesmo muito interessante esse artigo sobre o peiote, mas o irrespeituoso sempre soube como exterminar os povos indigenas, poucos se interessaram aos seus conhecimentos, suas culturas. Deixei un recado pra você no orkut. Você lê en francês? Ja esta morando no Acre? Passou pelo meu blog? Bisous de Edna

Curupira disse...

Eu qui dizer: o homem branco irrespeituoso...Bisous de edna