30 de abril de 2007

figuras de almanaque

Não quero aceitar que um dia tudo termine assim, toda a riqueza de uma cultura resumindo-se a meras figuras de almanaque, ilustrativas de um procedimento etnocida por parte de gerações e gerações de pretensos homens civilizados (aos quais eu próprio fui pagante de impostos, royalties e ingressos). É por isso que tento extrair de mim alguma filosofia que me permita elucidar esse dilema das relações interculturais, e venho vasculhando textos que possam servir de contributo a uma nova dimensão de leitura do que aconteceu, do que acontece, e do que poderá acontecer ao Homem. Mas não me inscrevo no velho humanismo que nos legou tantos falsos procedimentos de cortesia à guisa de civilidade: antes quero me propor a um novo humanitarismo, que obtenha resultados crescentes de solução de demandas comuns a todos os povos e a todas as espécies, que será talvez a diretriz múltipla de encontro ao equilíbrio do telar do universo presente aqui em nós.
Vou transcrever aqui um poema de Edgar Allan Poe que fala um pouco do processo de busca por algo que já se supõe inalcançável:

ELDORADO

(Edgar Allan Poe)

Gaily bedight,

A gallant knight,

In sunshine and in shadow,

Had journeyed long,

Singing a song,

In search of Eldorado.

*

But he grew old –

This knight so bold –

And o’er his heart a shadow

Fell as he found

No spot of ground

That looked like Eldorado.

*

And, as his strength,

Failed him at length,

He met a pilgrim shadow –

“Shadow,” said he,

“Where can it be –

This land of Eldorado?”

*

“Over the Mountains

Of the Moon,

Down the Valley of the Shadow,

Ride, boldly ride,”

The shade replied, -

“If you seek for Eldorado.”

* * *

ELDORADO

(tradução de Marcos Souza)

Belamente equipado,

Um galante cavalheiro,

Pela luz e pela sombra,

Cantando uma canção,

Cavalgava velozmente

A procura d’Eldorado.

*

Porém ele envelheceu,

O valente cavalheiro,

Dominado pela sombra

Do fracasso na procura

Desse lugar almejado

Semelhant’ao Eldorado.

*

Já findavam suas forças

Quando então el’encontrou

Uma sombra peregrina.

“Sombra”, ele perguntou,

“Onde posso encontrar

Um lugar com’Eldorado?”

*

“Pelas Montanhas da Lua,

Ou pelo Vale da Sombra,

Cavalgue, oh cavalheiro,”

A sombra lhe respondeu,

“Se deseja encontrar

Um lugar com’Eldorado.”

Um comentário:

Janos disse...

Parabéns pelo blog. Abraço.