25 de março de 2008

Teddy Roosevelt na Amazônia

Theodore Roosevelt e Nhambiquaras, em 1914
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Em 1885, Teddy Roosevelt, o futuro presidente dos Estados Unidos, que invadiria Cuba na década seguinte, escreveu: "I don't go so far as to think that the only good Indians are dead Indians, but I believe nine out of every ten are, and I shouldn't like to inquire too closely into the case of the tenth." Ou seja, que nao chegava tao longe como para afirmar que o único índio bom é um índio morto, mas que acreditava que entre dez índios, nove índios estariam melhores mortos, e quanto ao décimo seria bom examinar bem a questao. Entre 1913 e 1914, quando visitou a Amazônia e conheceu os índios daqui, seu discurso parecia ser outro.
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"Theodore Roosevelt foi um personagem contraditório. Embora tenha sido acusado de belicista e colonialista, em 1905, patrocinou os acordos de paz entre a Rússia e Japão, encerrando a guerra russo-japonesa e instalando os Estados Unidos no âmbito das controvérsias internacionais, quebrando a doutrina do isolacionismo. Pelo feito de pacificador, em 1908 recebeu o Prêmio Nobel da Paz. Os Roosevelt formavam uma tradicional família de Nova Iorque, cujos membros mais destacados foram os presidentes Theodore e Frankling Delano, primos distantes. Teddy Roosevelt como era conhecido, foi atleta e possuía uma autoconfiança espantosa. Assumiu a presidência dos Estados Unidos em 1901, quando do assassinato de presidente William Mckinley, de quem era o vice. Nacionalista, impôs a política norte-americana no Caribe, inclusive ignorando as decisões do Senado norte-americano, que não aprovaria o seu projeto de intervenção na República Dominicana. (...) Era um aristocrata reformador, que desafiando as organizações racistas, recebeu na Casa Branca, o educador e líder negro Booker T. Washington. Também nomeou negros para o governo e perseguiu os trustes. Embora fosse entusiasta da caça, Roosevelt se antecipou aos movimentos ecologistas, apoiando a legislação em favor da conservação do patrimônio natural estadunidense e lançando um importante projeto de proteção florestal, que Nabuco, também um proto-ecologista, pensou que poderia ser copiado no Brasil. (...) Em 1914, o já então ex-presidente Roosevelt fez uma viagem ao interior do Brasil. Deixou seu nome num grande rio e numa vasta área da floresta. Na ocasião, conheceu Cândido Rondon."
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Comenta Nelson Faillace:
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Essa aventura foi denominada “Expedição Scientífica Roosevelt-Rondon”. Rondon tinha ainda a tarefa de produzir um mapa detalhado do Rio da Dúvida, que se supunha ser um afluente do Amazonas. É um sub-afluente e passou a chamar-se rio Roosevel, em homenagem ao visitante que buscava pesquisar a nossa fauna, patrocinado pelo diretor do museu de Nova Yorque. De retorno aos Estados Unidos escreveu ele o livro “Through the Brazilian Wilderness” ou, “Através do Sertão Brasileiro”. Porém “Teddy” foi atacado de malária, vítima de desidratação, teve uma perna infeccionada e quase perdeu o filho Kermit num acidente de canoa. Cinco anos depois faleceria e, como divulgou a imprensa americana, certamente de “amazonite”.
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"O governo brasileiro logo viu a enrascada que se meteu: o estrago de um ex-presidente morrer no país seria enorme - mas ele não estaria na companhia de um qualquer: Cândido Rondon, já na época uma lenda, o acompanharia. Os dois homens dividiriam o comando, mas Roosevelt insistiu em aceitar a maioria das ordens de Rondon, embora o ex-presidente ficasse impressionado com os brasileiros, o choque cultural, ainda mais com um homem como Rondon, um positivista e pacifista, foi se acentuando na expedição. (...) Participar de uma expedição da Comissão Rondon era considerado na época o equivalente a um castigo - e o futuro marechal só conseguia, na maioria das vezes, recrutar desajustados e pessoas que eram enviadas pelo exército como punição. Era quase uma sentença de morte acompanhar Rondon. A selva provocava doenças (e o isolamento impedia qualquer assitência), mas o comportamento de Rondon, admirado mas ainda assim incompreensível para Teddy, gerava mortes. Rondon levava a sério seu princípio “”morrer, se for preciso; matar nunca!”, e impedia que seus homens revidassem os ataques dos índios. Os nativos da região do rio da Dúvida (hoje rio Roosevelt, rebatizado contra a vontade do ex-presidente, que gostava do antigo nome) eram os cinta-largas. Noventa anos depois, esses índios massacraram 29 garimpeiros - assim dá pra ter uma idéia do perigo que a expedição correu."
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Fontes: Fundaçao Joaquim Nabuco, "Teddy Roosevelt and The Winning of the West" e Canaca. Leiam também: "Um Safari para Teddy Roosevelt", de Higinio Polo.

Um comentário:

Rafael Cunha disse...

Muito boa essa matéria! Mostrei o site e a matéria para meus alunos e eles adoraram. Parabéns!

Rafael Cunha - Professor de História

João Pessoa/PB