22 de agosto de 2008

Solidariedade


Ato Ecumênico em Solidariedade aos Povos Indígenas da Raposa Serra do Sol:

CONVITE

Convidamos você, sua entidade, movimento, seu grupo para participar do ATO ECUMÊNICO EM SOLIDARIEDADE AOS POVOS INDÍGENAS DA RAPOSA SERRA DO SOL, que acontecerá no dia 26 de agosto das 18h às 22h, na Praça do Congresso – em frente ao IEA.

Programação:
18h – Abertura e animação
Ritual Indígena de Purificação
Arquidiocese de Manaus (fala do Bispo)
Animação
Filme: Ou vai ou racha. – CIMI
Fala indígena – Raposa Serra do Sol
Apresentação Teatral
Animação
Doc. Raposa Serra do Sol - CIMI
Fala COIAB e CPT
Ritual Afro
Animação
Oração final – Arquidiocese de Manaus

Anna Pata, Anna Yan
“Nossa Terra, Nossa Mãe”

REALIZAÇÃO: COIAB – CIMI – ARQUIDIOCESE DE MANAUS -CPT

O Supremo Tribunal Federal (STF) anunciou que vai decidir na próxima semana o conflito em torno da demarcação da terra indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima. Segundo o presidente do STF, Gilmar Mendes, o julgamento servirá de exemplo para outras áreas indígenas do País. A votação poderá basear inclusive o julgamento de uma ação que tramita há quase 26 anos no Supremo sem solução.

A reportagem é de Mariângela Gallucci e publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, 21-08-2008.

Proposta pela Fundação Nacional do Índio (Funai), a ação pede a anulação de títulos de posse concedidos pelo governo da Bahia em áreas da terra indígena Caramuru-Catarina Paraguaçu, localizada no sul do Estado. O Ministério Público Federal deu um parecer favorável à ação.

De acordo com informações do Ministério Público, a área tem 54 mil hectares delimitados e demarcados como de uso exclusivo dos índios pataxós hã-hã-hãe. A demarcação foi feita com base em uma lei estadual de 1926, mas, de acordo com o Ministério Público, a área foi gradativamente ocupada e arrendada a fazendeiros.

O Ministério Público sustenta que a disputa em torno da propriedade tem provocado conflitos na região, com mortos, feridos e desaparecidos.

Nos últimos anos, líderes dos índios estiveram em Brasília para pedir uma solução para o caso. Uma dessas comitivas veio à capital federal em abril de 1997. Nela estava o índio pataxó Galdino Jesus dos Santos. Na ocasião, ele foi incendiado por jovens de classe média e morreu. O fato teve repercussão nacional e internacional e os jovens foram condenados pelo Tribunal do Júri de Brasília.

Em abril deste ano, o atual relator da ação sobre a terra indígena na Bahia, ministro Eros Grau, pediu que o processo fosse incluído na pauta de julgamentos do plenário do Supremo. A ação entrou na pauta dos temas relacionados à ordem social. A previsão é de que o julgamento ocorra no dia 3 de setembro.

“As provas decorrentes dos estudos etno-históricos desenvolvidos pela Funai e por perícias judiciais convergem para comprovação da ocupação tradicional dos índios pataxó hã-hã-hãe e sua expulsão de parte de seu território, nos municípios de Itajú do Colônia, Camacan e Pau Brasil, no Estado da Bahia”, sustentou o Ministério Público no parecer enviado ao STF. “Concluiu-se que a presença dos índios na região é tradicional, tendo sido registrada nos primeiros documentos históricos sobre a ocupação indígena do nordeste brasileiro e permanecendo os índios na região e vinculados a todo seu território tradicional”, concluiu.

O julgamento da ação sobre a reserva indígena Caramuru-Catarina Paraguaçu deverá ocorrer uma semana após o STF definir a demarcação da Raposa Serra do Sol. Os ministros do Supremo estão empenhadíssimos em solucionar o conflito de Roraima. Em maio, Mendes viajou para o Estado com os ministros Ayres Britto e Cármen Lúcia para conhecer a área. Os três ministros realizaram um sobrevôo para avaliar a situação do local.

O jurista Dalmo Dallari apontou ontem o ministro da Defesa, Nelson Jobim, como um dos principais articuladores do processo de resistência à demarcação em área contínua da terra indígena Raposa Serra do Sol - homologada em 2005 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele também disse que o presidente do STF, Gilmar Mendes, não deveria participar do julgamento dessa questão, previsto para o dia 27, porque “não será um juiz isento”.

A reportagem é de Roldão Arruda e publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, 21-08-2008.

As afirmações foram feitas durante um ato de solidaridade aos índios de Roraima, realizado em São Paulo pela organização Makunaima Grita. Dallari lembrou que Jobim já atuou como advogado em duas ações contra demarcações de terras indígenas em Roraima e no Pará e perdeu no STF, nas duas disputas. Mais tarde, como ministro da Justiça do governo de Fernando Henrique Cardoso, ele voltou à questão ao tentar reverter demarcações por meio de um decreto presidencial.

“Ele quis obter por meio do decreto o que não conseguiu nos tribunais”, disse o jurista, professor emérito da USP e ex-diretor da Faculdade do Largo São Francisco. “Nós dissemos que não poderia mudar por decreto uma decisão do Supremo.”

No mesmo tom acusatório, Dallari recordou que o assessor do Jobim na época do decreto foi então advogado-geral da União e atual presidente do STF, Gilmar Mendes. “O ministro não deve participar do julgamento dessa questão porque não será um juiz isento, imparcial”, acrescentou.

No mesmo encontro, a antropóloga Manuela Carneiro da Cunha lembrou que, quando Mendes dirigia a Advocacia-Geral da União, ele defendeu o governo contra pessoas que tentavam ocupar áreas do Parque Nacional do Xingu usando títulos falsos. “Na mesma época ele dizia que não se podia fazer ilhas no parque porque isso descaracterizava toda a vida cultural dos indígenas”, afirmou. E logo em seguida acrescentou: “Mas hoje, como presidente do Supremo e solidário às posturas do ministro Jobim, acho que tudo pode acontecer - e isso significa que, dependendo da decisão do Supremo, todas as demarcações no País podem ser revistas”.

O ministro Jobim não quis comentar as declarações feitas a seu respeito durante o ato. Por meio de sua assessoria, disse que a questão pertence agora à alçada do STF. Mendes também não quis fazer comentários.

Índia quer fazer no STF defesa oral de área:

Primeira índia a se formar em direito no país, a wapichana Joênia Batista de Carvalho protocolou pedido para ser a primeira advogada índia a defender oralmente uma causa no Supremo Tribunal Federal, no julgamento da demarcação da terra indígena Raposa Serra do Sol, marcado para o dia 27.

A notícia é de Marta Salomon e publicada pelo jornal Folha de S. Paulo, 21-08-2008.

Caso as comunidades indígenas liberem a participação no processo, Joênia pretende caracterizar como "racistas" as contestações ao modelo contínuo da demarcação da reserva, adotado por decreto presidencial. "Não há como entenderem que a terra indígena em área de fronteira representa uma ameaça à segurança nacional, a não ser por um discurso racista. É como se os arrozeiros fossem mais brasileiros do que nós", afirma.

Fontes: Rogério Casado e Eliane Potiguara.

As Plantas Medicinais do Povo Xacriabá

AS PLANTAS MEDICINAIS

As plantas medicinais
Combatem doenças e dores
Só temos de conhecer
Seus verdadeiros valores
Quem entende desta arte
Descreve parte por parte
Para explicar aos leitores

Tudo o que Deus criou
Já nasce com seu valor
Não sou contra farmácia
Nem hospital nem doutor
Mas se existissem as reservas
Das matas com suas ervas
Não havia tanta dor

Vamos procurar conhecer
As plantas medicinais
Seguindo um pouco do exemplo
Que deram os nossos pais
Pra ver se sobram alguns trocados
Pois só com remédio comprado
A gente não agüenta mais!

(Rosenir Gonçalves Neves – Livro Xacriabá de plantas medicinais – fonte de esperança e mais saúde.)

Em Minas Gerais, um projeto de recuperação de espécies vegetais em extinção e que são usadas pelos índios será feito com o apoio de uma equipe do Instituto Estadual de Florestas (IEF), órgão ligado à Semad. "Vamos oferecer suporte técnico, no sentido de verificar a situação ambiental das aldeias e avaliar o nível de degradação das terras. Assim, será possível recuperar plantas que, por algum motivo, deixaram de ser cultivadas, mas que sejam consideradas importantes pelos índios", ressaltou o diretor de desenvolvimento e conservação ambiental, Luiz Carlos Cardoso Vale.
O termo de cooperação técnica também conta com o apoio dos dez municípios, onde existem comunidades indígenas. De acordo com o assessor especial para Assuntos Indígenas do Governo de Minas, Airton Krenak, a parceria integra e horizontaliza as ações sociais do Estado voltadas para os povos indígenas.
"Essa convergência entre diferentes órgãos governamentais fortalece as medidas adotadas. E o mais importante, ainda, é o fato de estarem sendo executadas em consonância com as vontades da população indígena", destacou.
Além disso, um acordo de cooperação técnica firmado entre as Secretarias de Estado de Saúde (SES) e a de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) para promover o resgate da medicina tradicional desenvolvida nas aldeias já está em andamento. A proposta é registrar o saber das etnias, voltado para a cura com ervas, e, ainda, recuperar as nascentes e a cobertura vegetal das áreas habitadas pelos índios.
"Sabemos que os povos indígenas são extremamente ricos em conhecimentos, especialmente no que se refere à cura. Dessa forma, estamos incentivando o resgate desse saber, pois entendemos que pode trazer contribuições significativas para a saúde da população indígena, ressaltando a preocupação em relação à sobreposição no uso de medicamentos alopáticos e os que são usados nas aldeias. Além disso, é uma forma de respeitar e valorizar as tradições das etnias em Minas Gerais", destacou Simone Faria Abreu, coordenadora estadual de Saúde Indígena.
Uma das medidas previstas pelo termo de cooperação técnica é a criação de um banco de dados, relacionando todas as espécies de ervas utilizadas como medicamento por cada uma das etnias. O banco conterá o nome oficial da planta, a forma como ela é conhecida na aldeia, sua utilidade, o modo de usar, o período da colheita, além de outras informações.
Para elaborar o banco, cada comunidade indígena elegeu representantes como responsáveis por realizar a coleta de dados na aldeia. São eles que visitam as casas, entrevistando os moradores e fazendo o registro daquilo que foi informado. "Todo o levantamento é realizado pelo próprio índio da aldeia.
Com isso, vamos obter um diagnóstico real do que é praticado pela população indígena, podendo, ainda, garantir o registro em nome do detentor do saber, que é a própria etnia", garantiu Simone.

Na foto, da esquerda para a direita, algumas espécies típicas da Caatinga: 1) embiratanha, Pseudobombax marginatum (Bombacaceae); 2) catingueira, Caesalpinia pyramidalis (Leguminosae: Caesalpinioideae); 3) cumaru, Amburana cearensis (Leguminosae: Papilionoideae); 4) gambá ou jurema-branca, Piptadenia sp. (Leguminosae: Mimosoideae); 5) pacotê, Cochlospermum vitifolium (Bixaceae); 6) imburana, Commiphora leptophloeos (Burseraceae); 7) jucá, Caesalpinia ferrea (Leguminosae: Caesalpinioideae); 8) pinhão-bravo, Jatropha sp. (Euphorbiaceae); 9) surucucu, Piptadenia viridiflora (Leguminosae: Mimosoideae); 10) angico, Anadenanthera colubrina (Leguminosae: Mimosoideae); 11) aroeira, Myracrodruon urundeuva (Anacardiaceae); 12) braúna, Schinopsis brasiliensis (Anacardiaceae); 13) maniçoba, Manihot sp. (Euphorbiaceae); 14) marmeleiro-preto, Croton sonderianus (Euphorbiaceae); 15) pau-branco, Auxemma oncocalyx (Boraginaceae); 16) pereiro, Aspidosperma pyrifolium (Apocynaceae). Fotos tiradas por Antonio Alves Tavares no Ceará, municípios de Aiuaba, Maranguape e Pentecoste, mas também características do município mineiro de São João das Missões, no Médio Rio São Francisco, onde em 2005 foi eleito o primeiro prefeito indígena do Brasil, Zé Nunes, do PT, hoje em campanha de reeleição. De lá de São João escutamos também essas notícias que nos dão muita esperança na Rede Povos da Floresta:

"Sou Jonesvan, do povo Xacriabá, do Norte de Minas, quase divisa com a Bahia. A experiência com informática e com internet é nova para o nosso povo. Temos três antenas via satélite e isso está trazendo inúmeras mudanças para os jovens, que buscam cada vez mais se informar.Éramos um povo remoto, bem distante da informação. Fui eleito vereador, temos também um prefeito e outros três vereadores indígenas. Estamos aproveitando bastante para buscar o conhecimento através da internet. Estamos conseguindo criar um intercâmbio com outros povos e com outras pessoas diferentes. Sabemos que a internet tem muita coisa boa e muita que às vezes não vale a pena. Tentamos selecionar e mostrar para os Xacriabá aquilo que realmente vem para somar. Espero que, a partir desse evento, possamos aumentar os nossos contatos, buscar experiências com outros povos, como os Ashaninka.

Mas não é só conquistar o espaço, mas saber o que vamos fazer dentro dele. Sei que muitos povos indígenas estão construindo isso um pouco mais do que os Xacriabá. O intercâmbio é importante. A internet veio para nos aproximar. A internet está distribuída no território em três escolas e ainda tem uma escola fora da rede. Os Xacriabá têm quatro escolas sede, com outras vinculadas. No total, são 27 escolas no território todo. Essas antenas, instaladas nas escolas, são abertas aos jovens estudantes e também à comunidade. Existem em média 1.900 alunos nas escolas, 104 professores indígenas formados e mais 60 em processo de formação. Estamos tentando ver se em setembro iniciamos o ensino superior para área da educação.

O uso da internet lá é basicamente aprender a usar. Muitas lideranças indígenas usam a internet também para receber e-mails de alguns projetos e enviar projetos para órgãos e instituições, via associações. A internet é uma ferramenta que vem para somar, é uma ferramenta de trabalho. Devagar, estamos começando a nos encaminhar para essa direção."

Fontes: Comunicação e Artes, Árvores do Tavares, "Livro Xacriabá de plantas medicinais: fonte de esperança e mais saúde". Leiam em pdf: "Xakriabá – cultura, história, demandas e planos", de Rita Heloísa de Almeida.

19 de julho de 2008

Da Vine = Jagube

O norte-americano Loren Miller conseguiu em junho de 1986 patentear nos EUA uma suposta "nova e distinta" variedade (designada então "Da Vine) de Banisteriopsis caapi , o nativo cipó jagube, utilizado como um dos principais ingredientes do tradicional composto enteogenico sul-americano conhecido como ayahuasca ou Daime. O biopicareta norte-americano alega em sua descrição para a patente que "a planta foi descoberta crescendo num jardim doméstico na floresta tropical amazônica".

Em 1994, o conhecimento desta patente chegou ao COICA, organização indígena que coordena os interesses cerca de 400 grupos nativos da bacia Amazônica. A COICA então contatou o Centro para Legislação Ambiental Internacional (CIEL), que por sua vez requisitou um reexame da patente, alegando que a dita 'nova e distinta variedade' não era nem uma coisa nem outra, e que tal concessão contrariava os aspectos públicos e morais da Lei de Patentes dos EUA devido ao conhecido uso tradicional de natureza sagrada da planta pelos nativos da região amazônica. Em 1999, o Departamento de Patentes dos EUA (USPTO) suspendeu a concessão de patente por concordar que a variedade 'Da Vine' não era distinta das variedades apresentadas pela CIEL.

Mas em 2001, o sacana conseguiu convencer o USPTO a manter a patente, principalmente porque pela data de requerimento da patente (1986), esta não estava sujeita as novas regulamentações de reexame, deixando o CIEL inabilitado para prosseguir na anulação da safadeza. Ou seja, está tudo como antes, no quartel de Abrantes. E viva a burrocracia!

Banisteriopsis caapi (cv) 'Da Vine'

Patent Number: US5751P
Publication date: 1986-06-17
Inventor(s): MILLER LOREN S (US)
Applicant(s):
Requested Patent: US5751P
Application Number: US19840669745 19841107
Priority Number(s): US19840669745 19841107; US19810266114 19810521
IPC Classification: A01H5/00
EC Classification:
Equivalents:

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Abstract
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A new and distinct Banisteriopsis caapi plant named 'Da Vine' which is particularly characterized by the rose color of its flower petals which fade with age to near white, and its medicinal properties.

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Data supplied from theesp@cenettest database

Fonte < Tudo Sobre Plantas. Foto - CHAVE - POA

18 de julho de 2008

Ixã Dua Bakê e o Instituto Yuxibu

foto de Juliano Serra

Instituto Yuxibu dos Pajés Hunikuins da Floresta. Esta a missão colocada desde a reunião sob a samaúma onde os pajés Inu e Dua do Jordão acertaram a sua criação conforme seqüência de um pensamento que começou lá em São Paulo na presença do jovem Leopardo. Daí a nova geração, forte, da família hunikuin, estar se destacando em seu mesmo propósito: agora vamos a São João das Missões, norte de Minas onde um Xacriabá, José Nunes, se tornou em 2006 o primeiro prefeito indígena eleito no Brasil, pois Ixã Dua Bakê, pajé-mirim da Coordenação de Medicina Tradicional da Terra Indígena Alto Rio Jordão, da divisa do Acre com a selva peruana, busca conhecer o trabalho de produção de medicamentos iniciado por aquela re-etnia do Vale do Rio São Francisco, guardiães do Peruaçu e da mata-branca mineira da divisa da Bahia. Índios do Acre aprendendo com os índios de Minas Gerais, e vice-e-versa... Tudo é um mesmo Brasil e um "Ĩka Neibei" (dos hunikuins) pode, é claro, se intitular "Payé" pois pajés todos os da raiz nativa xamãs dos trópicos.

Aqui em Brasília, Ixã esteve com Fernanda Kaingang, do Instituto Indígena para Propriedade Intelectual - Inbrapi, para estar conectado o futuro Instituto Yuxibu com essas mesmas preocupações de defesa do patrimônio medicinal do povo hunikuin. Por enquanto remédios como potencializadores de memória, conceptivos femininos ou antibióticos naturais não podem sequer ser patenteados pois a lei internacional de patentes aceita por força do "trading" apenas propriedade por um período de 20 anos, depois do qual todas as coisas caem em domínio público, o que no caso dos povos indígenas, privaria suas futuras populações da posse de seu patrimônio intelectual. Um tipo de norma burra que amarra muitas histórias e conserva situações de paternalismo, expropriatórias afinal da autonomia interna das nações indígenas de muitos países, e também a das brasileiras.

Pessoal da Aromaterapia: agora para Ixã o sonho é ganhar uma destiladora de óleo essencial e começar uma fábrica de incensos na Aldeia São Joaquim, que fica mais próxima do município acreano de Jordão, na foz do rio de mesmo nome, no Alto Tarauacá. Em sua própria aldeia, Belo Monte, o pai Dua Busĩ está com a Escola de Pajés já funcionando, atendendo a um contingente de interessados das aldeias vizinhas, e nosso amigo Leopardo Yawabane lá está se arregimentando para maiores vôos. O Instituto Yuxibu permitirá também conduzir projetos de documentação cinematográfica, e o primeiro projeto diz respeito ao intercâmbio com nações equatorianas no tocante à sua medicina tradicional.

Para contacto e colaborações para o Pajé Ixã Dua Bake, escrevam via: kaxinawas@gmail.com

Yuxibu


"Tomar cipó significa conhecer como se nasceu, como foi o início. O mundo que a gente recebe dentro da nossa mãe. Porque no nosso mundo o espírito está vivo. A nossa religião é Yuxibu. Ele vai buscar dentro da gente o nosso pensamento e mostra nas canções do cipó o seu segredo, o seu orgulho. Pega aquilo que você pensou e entrega tudo nas cantorias do cipó. Ele vai fundo. O Yuxibu não deixa nada de graça. Yuxibu é a jibóia e o pai dela é Exeika."

(Isaías Ibã Sales, em "Nixi Pae - O Espírito da Floresta")

7 de julho de 2008

Barin Bababo


Documentário que conta a experiência artística de Barin Bababo em Lima, em dezembro de 2007. Fonte: Botella Al Mar

A Dança das Espirais

"As primeiras brisas frias anunciam o momento de recolher. O instante mágico dedicado ao silêncio, à recomposição energética que se apresenta como um convite ao repensar mais profundo diante da fogueira, é sagrado. O Grande Lagarto se estende sobre as pedras frias, confiante e solitário, a fim de que possa sonhar o amanhã desenhando no Cosmo o respirar de cada criatura.

A hora de firmar com o Intento as aspirações mais elevadas é sutil e reforça a busca de reconexão com Pachamama, a Mãe Terra, em cujos seios estarão deitadas as ações de seus filhos, todos os filhos. Ainda que caminhando cegamente, ausentes de direção, aprisionados a uma existência antropocêntrica destituída de percepções maiores e mais ousadas, esses filhos são também uma parte da Criação, uma modesta parcela que independente de tamanho ou grau de importância, mas que pulsa e está viva.

Ignorante da existência de outros seres e mergulhado em uma soberba absolutamente bizarra, o homem parece fadado à ilusão, distorcendo com habilidade e precisão impressionantes toda a natureza do movimento cósmico simplesmente por não conseguir perceber sua própria dimensão, tropeçando na própria sombra, esquecido da luz e do brilho que reside em todos as coisas vivas.

Mesmo assim, com a chegada das brisas frias e a necessidade de recolhimento tão próprias da estação, Pachamama é generosa e assinala, incansavelmente, o convite para que suas fragmentadas criaturas dancem com as próprias sombras, à luz do fogo, trazendo aos espíritos a
lembrança ancestral dos ritos do inverno, quando a Dança das Espirais é marcada pelo som dos tambores e orquestrada pelo movimento circular galáctico. Então, quando todos os filhos houverem experimentado a difícil descida aos mundos interiores, quando tiverem ouvido e libertado todos os ais alí depositados, poderão emergir gloriosos no movimento espiral em direção à Grande Luz.

Coloridas lanternas são acesas para que nenhuma alma se perca nesta "perigosíssima" trilha e para que a metamorfose se opere quando o milho fizer estourar no fogo pequenas nuvens, a fim de que os olhos não se esqueçam de mirar os céus e os espíritos aflitos não percam de vista o eterno respirar dos sonhos..."

Foto: Richard Seaman.

4 de julho de 2008

Katxá Tirim

"When achievements have been made and there is a sense of security and 'Harvest' in the air, it is time to celebrate with one another. There is a need to get back to a simple, conservative level of enjoyment. There's a sense of being in tune with seasonal rhythms. The feeling of a healthy heart and a healthy mind, while taking a break from the struggles of providing, can bring joy to everyone involved. See if you can take time out to celebrate and to enjoy your environment".

Celebrating the warmth and providence of the Earth. The joy of nature's harvest. Joining with others to celebrate. The reality of rhythmical or seasonal adjustments. Dancing.

FOTOS DA INAUGURAÇÃO DO CENTRO DE MEMÓRIA DO POVO HUNIKUIN NO ÚLTIMO 20 DE JUNHO.

12 de junho de 2008

Centro de Memória Hunikuin


Estou indo para o Jordão, assessorando os projetos dos meus amigos e compadres hunikuins à frente do movimento indígena acreano. A comunidade da Terra Indígena Rio Jordão, em nome da Associação dos Seringueiros Kaxinawá do Rio Jordão (ASKARJ), realizará a inauguração festiva, no próximo dia 20 de junho, do "Centro de Memória Hunikuin dos Rios Yuraiá e Tarayá" na aldeia São Joaquim, Rio Jordão, município de Jordão - Acre, e a respeito nos escreve o líder José Floriano Sales, Bane Kaxinawa:

"No final do ano passado (2007) assinamos um convênio para finalização do projeto que já estava em andamento com a força da comunidade. Estamos, portanto, convidando nossos parceiros para inaugurarmos juntos a bela escola da floresta, onde repassaremos parte dos nossos conhecimentos a interessados. O Centro de Memória resulta da força de organização do povo Hunikuin. Para realizá-lo contamos com valiosos apoiadores como é o caso do governo estadual do Acre e o gabinete do Senador Tião Viana.

Nesta inauguração, estarão presentes todas as autoridades Hunikui dos quatro cantos do Acre, além de moradores e colaboradores do Breu, Purus, Envira e Tarauacá, uma confraternização que bem caracteriza essa forte união dos Kaxinawa em sua luta pelos direitos iguais na sociedade da floresta. No evento serão apresentadas festas tradicionais como Katxa Tirim e Nixi Pae. Estas festas marcam o início das atividades de um programa de formação do povo Hunikuin e demais interessados, que passa a ser realizado no Centro de Memória.

Tal iniciativa nos parece muito importante para todos os povos indígenas que dão a si seu próprio valor. Com ela demonstamos que os indígenas não precisam mendigar no "mundo dos brancos". E, mais do que isso, que podemos realizar, de modo coerente, a verdadeira autonomia de nossa identidade cultural.

Queremos participar, cada vez mais, das novas tecnologias renováveis, para não dependermos tão somente do mercado de fora. E também consolidar nossas parcerias com outras entidades nacionais e internacionais, em países como Alemanha, Canadá e Estados Unidos. Assim, podemos trazer experiências para nosso povo e estado que fortaleçam nosso trabalho como um todo.

O Centro de Memória funcionará como uma universidade na floresta. Servirá para o intercâmbio de nossa sabedoria humana e também para avançar nos nossos conhecimentos milenares. Algo disso já se foi e agora queremos cuidar, cada vez mais e trabalhar conjuntamente com bons parceiros. No Brasil, muitas vezes somos tratados como pessoas "sem valor". Mas, recebemos variado apoio e muito respeito em outras regiões do mundo.

Esse projeto tem vários padrinhos importantes como meu avô Alfredo Sueiro Sales (In Memoriam), Txai Terry Aquino, o Governador Arnóbio Marques, meu pai Siã Kaxinawá e todos que acreditaram em nosso pensamento de futuro. Com este evento pretendemos agradecer o apoio do Governo do Estado. Viva a Florestania! Viva os Povos da Floresta! Viva a Nação Hunikuin! Viva o Acre! Viva todas as nações indígenas brasileiras! "

Bane Kaxinawa - Representante do Povo Kaxinawá da Terra Indígena Rio Jordão
contato: (68) 8111-7664 e kaxinawas@gmail.com

10 de junho de 2008

Transcendências


Fonte: YouTube

8 de junho de 2008

Acalanto



Pequena homenagem a Ismael Serrano e aos povos originários de America Latina:

"NANA PARA UN NIÑO INDIGENA"

Duerme mi cielo,

mi niño eterno, dueño del mundo,


mi corazón.


Despertarás y habrá acabado la larga noche


y su terror.


Vendrá la luz y el amanecer posará en tus labios


la esperanza que sueñan los pueblos originarios.




Sueña Pichiche,

con las praderas donde el manzano


ya floreció,


en esa tierra en que el huinca aprende


nuestros amores, los que olvidó.


Él allí comprenderá que tu gente quiera romper


las alambradas que cierran la ruta a Peumayen.




Duerme, mi pequeño,

que en el país al que vas dormido


escriben la verdadera historia los vencidos


No temas despertarte,


que la luz que se cuela por el tamiz de tus sueños


alumbra esta noche y limpia el cielo del mundo.


Duérmete y que vuestro sueño custodie el futuro.




Duerme mi wawa,

la Pachamama besa tu frente y en su interior


guarda su oro negro y volátil, para ofrecértelo a ti, mi amor.


Duerme que un sueño nos salvará de tanto olvido,


y espantará al águila que acecha al puma herido.




Dulce paal,

duerme tranquilo, que aquí a la selva no llegarán


el monstruo con dientes de acero, rencor y escamas y su ley marcial,


que a la tarde llegó un mensajero con pasamontañas


diciendo que traerá música y flores por la mañana.




Duerme, mi pequeño,

que en el país al que vas dormido


escriben la verdadera historia los vencidos


No temas despertarte,


que la luz que se cuela por el tamiz de tus sueños


alumbra esta noche y limpia el cielo del mundo.


Duérmete y que vuestro sueño custodie el futuro.


Glossário:

1.- Pichiche: Menino em idioma mapuche (indígenas do cone sul).

2.- Huinca: Homem branco em mapuche (originariamente era um termo para denominar aos ladrões de gado).

3.- Peumayen: Lugar sonhado en mapuche.

4.- Wawa: Bebê em quechua e aymara.

5.- Pachamama: Mãe terra em quechua.

6.- Paal: Menino pequeno em lacandón maya.

Fonte: DevianArt

7 de junho de 2008

As estrelas da bandeira brasileira


Cada estrela na Bandeira do Brasil representa um Estado da Federação. Todas as estrelas têm 5 pontas e não têm o mesmo tamanho; elas aparecem em 5 dimensões: de primeira, segunda, terceira, quarta e quinta grandezas. Estas dimensões não correspondem diretamente às magnitudes astronômicas mas estão relacionadas com elas. Quanto maior a magnitude da estrela maior é o seu tamanho na Bandeira.
  1. Acre (γ Hya, Constelação Hidra Fêmea) — Estado da região Norte, situado na Amazônia brasileira. De "áquiri", touca de penas usada pelos índios munducurus...
  2. Alagoas (θ Sco = Sargas, Constelação Escorpião) — Estado da região Nordeste. Parte da capitania de Pernambuco, Alagoas torna-se comarca em 1711 e separa-se deste em 1817, transformando-se em capitania autônoma e, depois, em província (1822) e Estado (1889). Seu nome tem tudo a ver com a paisagem de lá. É que esse estado é cheio de lagoas!
  3. Amapá (β CMa = Mirzam, Constelação Cão Maior) — Estado da região Norte, situado na Amazônia brasileira. Objeto de disputa territorial com os franceses, arbitrada em favor do Brasil em 1900. Passou a condição de Estado em 1988. "Ama'pá", árvore da família das apocináceas (Parahancornia amapa), de madeira útil e cuja casca, amarga, de látex medicinal, de aplicação no tratamento da asma, bronquite e afecções pulmonares, tendo seu uso externo poder resolutivo e cicatrizante de golpes e feridas...
  4. Amazonas (α CMi = Prócion, Constelação Cão Menor; estrela na extrema esquerda da bandeira) — Estado da região Norte, situado na Amazônia brasileira, o maior da Federação. Cedido a Portugal pela Espanha - Tratado de Madri, 1750. Elevado a província em 1850. Municípios mais populosos: Manaus, Parintins, Manacapuru etc. Nome de mulheres guerreiras que teriam sido vistas pelo espanhol Orellana ao desbravar o rio. Porém, para alguns historiadores, o nome origina de "amassuru", idioma tupi, águas retumbantes...
  5. Bahia (γ Cru = Gacrux, Constelação Cruzeiro do Sul) — Se você olhar no dicionário, vai descobrir que baía (sem o h) é um pequeno golfo. E um golfo é um pouquinho de mar que entra pela terra, exatamente como acontece no litoral baiano! Em rigor, o nome do Estado deveria ser Baía. No entanto, como a forma Bahia já estava "consagrada pelo consenso diuturno dos brasileiros", segundo as normas do Formulário Ortográfico, ela permaneceu com o "h" intermediário.
  6. Ceará (ε Sco = Wei, Constelação Escorpião) — do tupi siará, "canto da jandaia", um pequeno papagaio...?
  7. Distrito Federal (σ Oct, Constelação Oitante; menor estrela, aquela mais inferior na bandeira)
  8. Espírito Santo (ε Cru = Intrometida, Constelação Cruzeiro do Sul) — Teve esse nome tão "sagrado" porque seu primeiro governante, Vasco Fernandes Coutinho, desembarcou lá em 1535, em um domingo dedicado ao Espírito Santo!
  9. Goiás (α Car = Canopus, Constelação Carina) — do tupi "gwaya", nome dos índios guaiás, gente semelhante, igual...
  10. Maranhão (β Sco = Graffias, Constelação Escorpião; estrela na extrema direita da bandeira, sob o lema) — mar agitado... Do tupi "mba'ra" e "nâ", corrente, rio que semelha o mar, primeiro nome dado ao rio Amazonas...
  11. Mato Grosso (α CMa = Sirius, Constelação Cão Maior)
  12. Mato Grosso do Sul (α Hya = Alphard, Constelação Hidra Fêmea)
  13. Minas Gerais (δ Cru = Pálida, Constelação Cruzeiro do Sul) — Tem esse nome por causa das minas! Foi nesse estado brasileiro que aconteceu o Ciclo do Ouro, no século 16. Durante esse tal ciclo muito, muito ouro e outras pedras preciosas foram descobertos e explorados em Minas Gerais!
  14. Pará (α Vir = Spica, Constelação Virgem; parte superior da bandeira, acima do lema) — O estado ganhou esse nome por causa do rio Amazonas que, quando se encontra com um outro rio chamado Tocantins, fica tão grandão que parece um mar! Na língua tupi "pa'ra", significa mar, rio grande, caudal, designado do braço direito do Amazonas, engrossado pelas águas do Tocantins. Também prefixo utilizado no nome de diversos peixes e plantas...
  15. Paraíba, nome também do rio que banha sua capital (χ Sco = Girtab, Constelação Escorpião) — No nome desse estado entra novamente a palavra tupi "pa'ra", que a gente já sabe que significa mar, junto com "a'iba" que quer dizer ruim, mau, impraticável... Rio ruim, rio grande que não se presta à navegação (imprestável)...
  16. Paraná (γ TrA, Constelação Triângulo Austral) — Começa com a mesma palavra tupi que deu nome ao Pará, e que significa mar. Só que, junto dela foi colocada uma outra palavra tupi, "nã" ou "anã", que quer dizer: parecido, parente, semelhante. Ou seja, o Paraná foi batizado assim porque lá tem um rio bem grande que é "semelhante ao mar". Único dos três estados sulistas a ter nome de origem tupi...
  17. Pernambuco (μ Sco, Constelação Escorpião) — Do tupi "para'nã", rio caudaloso, rio grande, mar, e "pu'ka", gerúndio de "pug", que significa rebentar, estourar, encontro. Relativo ao furo, ou entrada, formado pela junção de dos rios; de quebra-mar (arrecifes). Pernambuco é o encontro de um rio grande como o mar. Ou melhor, de dois rios: o Beberibe e o Capiberibe...
  18. Piauí (α Sco = Antares, Constelação Escorpião) — veja na página Arte Rupestre!
  19. Rio de Janeiro (β Cru = Mimosa, Constelação Cruzeiro do Sul)
  20. Rio Grande do Norte (λ Sco = Shaula, Constelação Escorpião)
  21. Rio Grande do Sul (α TrA = Atria, Constelação Triângulo Austral)
  22. Rondônia (δ CMa = Muliphem, Constelação Cão Maior)
  23. Roraima (γ CMa = Wezen, Constelação Cão Maior) — Palavra de origem indígena que significa "terra do grande vento". Prefira chamar o Estado de "Rorãima", ao invés de "Roráima", pois do ponto de vista formal do idioma, não deve haver dúvida: a pronúncia recomendável é com som fechado, até porque, na língua portuguesa, os ditongos (grupo de duas vogais) que vêm antes de "m" e "n" adquirem o som nasal dessas consoantes. Por que a confusão, então? Ocorre que as tribos dominantes em Roraima - entre as quais as dos macuxis, uapixanas e taurepangues - dizem "Roráima", com som aberto, assim como a maioria dos habitantes da região.
  24. Santa Catarina (β TrA, Constelação Triângulo Austral) também levou o nome de uma igreja, dado por um tal de Francisco Dias Velho.
  25. São Paulo (α Crux = Acrux, Constelação Cruzeiro do Sul) ganhou esse nome por causa de uma igreja construída na cidade em 1554.
  26. Sergipe (ι Sco, Constelação Escorpião) — Estado da região Nordeste, o menor da Federação. Do tupi antigo "siri‘y-pe" ou "si'riupe", no rio dos siris, para o rio dos siris; primitivo nome do rio junto à barra da capitânia...
  27. Tocantins (ε CMa = Adhara, Constelação Cão Maior) — de "tukana" tucano e "ti" bico, nariz, saliência, logo bico de tucano... será uma referência ao formato do mapa geográfico? Estado da região Norte, criado de porção de Goiás pela Constituição de 1988.
Fonte: Observatório UFMG